19 Set 2019

O outro erro na indicação de Eduardo

Por   Sex, 26-Jul-2019
Eduardo: "amigo" Eduardo: "amigo"

O Itamaraty confirmou a indicação pelo presidente Jair Bolsonaro de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Para ser empossado no cargo, Eduardo terá de passar pelo aval de uma comissão no Senado. E por um duplo erro do pai.

O primeiro erro, mais evidente, é o critério familiar que determinou a indicação, de natureza nepotista e despótica, que tem paralelo somente em países de regime ditatorial.

O segundo erro, menos evidente, mas igualmente relevante, é a premissa com a qual o presidente acredita estar cometendo um acerto.

Além de dar uma oportunidade diferente ao filho, como ele mesmo anunciou em suas lives nas redes sociais, Bolsonaro acredita que seria benéfico ao Brasil ter em Washington um embaixador que conhece o presidente americano, Donald Trump e seria "amigo" do filho de Trump e próximo da família.

A função de embaixador de qualquer país em qualquer lugar não é ser "amigo" do dirigente para atrair maior benevolência. É representar o Estado brasileiro. O que eventualmente pode significar mediação ou eventualmente até confrontação na defesa do que são os interesses nacionais.

Um embaixador não pode ser respeitado porque é filho ou parente de alguém. Deve ser respeitado pelo país que se dá ao respeito. E há menos respeito por um país onde o embaixador é filho do mandatário. Pelo menos no rol das Nações democráticas.

Os conceitos do presidente Bolsonaro contrariam tudo o que se recomendaria num manual de gestão pública ou privada. Mesmo assim, ele não parece se importar.

O presidente andou fazendo contas sobre seu apoio no Senado. Parece confiar na aprovação de seu filho pelos senadores. Caso positivo, não seria exatamente surpreendente. Mas seria de se lamentar.

Para quem assumiu o cargo prometendo tirar políticos de funções executivas e colocar especialistas, nomear um filho para uma posição onde deveria estar um profissional de carreira sugere que a velha república das bananas está em pleno vigor. Em vez de mais respeito, o Brasil será novamente uma piada mundial.