21 Jul 2019

O machismo das feministas

Por   Dom, 14-Abr-2019

Pesquisa do DataFolha indica que a maioria das mulheres não leva fé no feminismo. Os homens acreditam mais no movimento que elas.

Os que acreditam que o feminismo é positivo para as próprias mulheres são 48% e os que crêem ser ele bom para a sociedade somam 49%. Entre as mulheres esses índices caem para 43 e 45. 

O radicalismo de setores do feminismo é o responsável por essa situação. Muitas mulheres se sentem diminuídas, atacadas e ofendidas pelos ataques das radicais.

A Damares ridicularizada por esquerdistas de variados naipes nas redes sociais, na imprensa e no Congresso não é a que assumiu o ministério agora. É a menina que dos seis aos dez anos foi abusada sexualmente.

Foi essa menina quem subiu na goiabeira e viu Cristo, não a ministra, a quem a deputada petista ofendeu na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O Brasil é um paraíso da violência contra as mulheres. Há leis recentes, como a Maria da Penha e a que agrava o homicídio, chamado aqui de feminicídio, que comprovam a gravidade do problema. Essa legislação só é necessária porque temos um problema real nessa área da violência contra a mulher.

O abuso infantil é outro problema grave entre nós. Certa vez, confrontado com o absurdo de ter abusado da própria filha, um amazonense justificou-se dizendo que se ela seria “usada” por um estranho, que fosse antes por ele, que como pai tinha mais direito.

A situação em certos grotões é epidêmica, mas nas grandes cidades ele é presente com índices significativos. Mesmo sabendo-se que grande parte desses casos não é revelada, por medo ou vergonha da vítima, o Brasil encara 60 000 estupros notificados por ano (2017), muitos deles de meninas e adolescentes.

Algumas pessoas se esforçam para combater esses problemas encarcerando os abusadores e educando as gerações. Outras usam os problemas como bandeiras políticas, sem oferecer solução.

Há no movimento feminista mais ligado à esquerda quem defende o desencarceramento, logo não tem interesse em pedir a prisão dos abusadores, individualizando a responsabilidade criminal. Então, atribui tudo a uma “cultura do estupro” e à sociedade patriarcal. Combate o problema da boca pra fora.

Nesse contexto se entende a forma como feministas radicais de esquerda em geral tratam o relato da ministra Damares. Abusada na infância, a ministra relatou que se refugiava no quintal junto a uma determinada árvore, onde chorava sua dor e orava.

Num desses momentos de recolhimento, depois de tentar o suicídio, o Cristo teria aparecido para consolá-la. Esse relato virou piada. Principalmente entre essas mulheres. Gente que não respeita a crença alheia, mas dá xiliques quando desrespeitam seu ateísmo.

Chamaram a ministra de doida, mas no fundo ofenderam a menina abusada e traumatizada. Essa gente acha o máximo comemorar o Dia do Saci, joga flores para Iemanjá mesmo não sendo da fé, mas ridiculariza uma criança cristã que teve uma visão. Não importa se Deus existe, no caso.

O ateu só precisa acreditar e respeitar que crianças vêem coisas, de amigos invisíveis ao Boitatá. Por que na sua fé e desespero não veria o salvador? Se uma criança sem traumas pode, por efeito da mente criativa ou da própria realidade, ver coisas extraordinárias, imagine uma garota dotada de fé, abusada durante anos! Que não seja mais que a imaginação da criança, ainda assim é motivo para chacota?

Mais grave é desdenhar da crença do cristão, o bullying, o constrangimento, o preconceito militante condenado por lei.
Se enchem de piedade pelo militante fujão ou pelo corrupto preso, pela deputada chorona que não aguenta ouvir umas verdades, mas são impiedosas com mulheres vítimas que não rezem pela sua cartilha política. Humilham - ou tentam - uma mulher pelo relato de seu sofrimento passado.

Esse lixo humano fala em empatia e ataca o discurso de ódio, como se fossem um bando de santinhas de procissão.

Merecem o opróbrio da gente civilizada.