2 Jul 2020

O Jean Wyllys da direita

Por   Seg, 22-Jun-2020

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, chegou aos Estados Unidos, onde entrou com passaporte diplomático, como se ainda estivesse na pasta, levado à diretoria do Banco Mundial na vaga do Brasil, graças a uma das canetadas com a caneta barata do presidente Jair Bolsonaro.  Porém, não desembarcou como autoridade, mas foragido da Justiça, aliviado a ponto de comemorar um lanche no KFC, fast food conhecido pelo seu frango frito.

"Agradeço a todos os que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA", escreveu ele. "Quanto à culinária internacional, ontem fiquei tentado a comer uns tacos, acabou sendo KFC."

O tuíte do ex-ministro faz dele uma espécie de Jean Wyllys da direita. Sua fuga lembra a do ex-deputado, desafeto do presidente Jair Bolsonaro, que abandonou seu mandato e o país, refugiando-se num auto-exílio europeu, sob a alegação de estar com medo das milícias bolsonaristas, após a morte da vereadora Marielle Franco.

No caso de Weintraub, o medo possível seria o de ser preso, já que é alvo de inquérito do Supremo Tribunal Federal, cujos ministros chamou de "vagabundos" na reunião ministerial de 22 de abril. E cuja deposição defendeu em atos públicos por um golpe de Estado, em meio à pandemia do coronavírus.

Com isso, os membros do STF acabaram lançando sobre ele a sombra de sua togra negra. Em vez de sustentar o que fala, Weintraub preferiu dar no pé.

Seu gesto está à altura do seu comportamento no governo, onde meteu o bedelho onde não devia, ao mesmo tempo em que não produzia nada de útil na pasta que lhe foi destinada. E mais: revela o estado de espírito em que se encontram os colaboradores do presidente Bolsonaro, que hoje parecem estar se achando mais perto da cadeia que de implementar seu projeto político, com ou sem golpe. 

A menos que, como Wyllis, Weintraub planeje uma volta por cima do exílio. Para isto, terá de optar entre a revolução e a confortável sinecura arranjada por Bolsonaro, com proventos mensais equivalentes a mais de 110 mil reais.

Entre uma coisa e outra, façam suas apostas no que o pior ministro da Educação de todos os tempos escolherá.