16 Nov 2019

Mulheres em campo

Por   Seg, 17-Jun-2019

Trabalhos iguais salários iguais?

Quem paga o salário dos atletas profissionais? De onde sai o dinheiro que paga Cristiano Ronaldo, Neymar e cia? Do tesouro dos países onde atuam?

Tenho uma leve impressão de que a bufunfa vem de fontes variadas do cruel mercado, obedecendo à vetusta lei da oferta e procura.

Direito de transmissão pela TV, venda de uniformes, publicidade nas camisas, bilheteria e mensalidade dos sócios torcedores, entre outras, são as fontes dos recursos com os quais os clubes pagam não só os altos, mas também os baixos salários.

Quanto mais faturam os clubes, melhores salários podem pagar e mais craques conseguem contratar. Se o time não tem grande torcida, seu quinhão no direito de exibição é mais modesto, seu faturamento com a venda de camisas é diminuto e a bilheteria fraca.

O óbvio: mesmo sendo homens, seus atletas jogarão por mixaria compatível com o faturamento mixuruca do clube. Simples assim.

Então, por que diabos esse povo esquisito da crônica esportiva insiste na pergunta “Por que as mulheres ganham tão menos que os homens, no futebol?”. Simples, cambada: perguntem ao Zezinho. Ele só tem dez anos, mas já sabe.

Essa pergunta volta sempre que a seleção feminina entra em campo. A impressão é de que há discriminação. Qualquer mente mediana procuraria, antes, responder à questão “Por que o Jabaquara paga tão menos aos seus atletas que o Real Madrid?” Respondida esta questão, fica ocioso cuidar da disparidade entre os salários de homens e mulheres no futebol.

O tênis feminino tem o mesmo apelo do masculino. Aí, pleitear premiações iguais faz sentido. Mas o cachê publicitário dependerá sempre da posição no ranking e do carisma do atleta.

Cada esporte tem suas características, mas uma coisa não muda. Quem dá maior retorno ao clube e ao patrocinador ganha mais. Não faz sentido remexer as cadeiras e balançar as bandeiras do feminismo onde o que prevalece é o mercado e suas regras, implacáveis, porém lógicas.

Não há uma questão igualitária, aqui. Quer que as meninas ganhem como os homens? Encham os estádios, comprem a camisa, entrem de sócios torcedores nos clubes. Ou façam uma revolução, implantem uma ditadura e transformem as atletas em funcionárias do Estado. Mas sob o risco de a igualdade vir com o nivelamento, por baixo, dos salários dos rapazes aos das moças.