24 Abr 2019

"Mariana nunca mais"

Por   Seg, 04-Fev-2019
Schvartsman: promessa desastrosa Schvartsman: promessa desastrosa

Com essa frase de grande impacto e reconfortante promessa, o recém-empossado presidente da Vale, Fábio Schvartsman, respondeu ao desastroso crime ambiental da região de Mariana.

O novo responsável pelas inúmeras barragens da companhia mineira assegurava a todo mundo, com sua reconhecida capacidade profissional e indiscutível autoridade sobre a empresa, que nenhum desastre como aquele se repetiria. E sobreveio o tsunami de rejeitos de Brumadinho pouco mais de dois anos depois!!!

Ele nada fez, apenas uma frase de efeito! Fomos enganados!!! Cemitérios de montanhas, de rios, de vidas de esperanças e sofrimentos resultaram dessa mentira. Profissionais sem qualquer autonomia passam a responder por esse crime, apesar de não terem como evitá-lo. Isso me faz lembrar o mensalão e a conduta criativa do inesquecível magistrado, Joaquim Barbosa.

O experiente José Dirceu armou toda aquela trama como se fosse um primeiro ministro ou presidente de fato, com o objetivo de suceder Lula, não deixando rastro ou qualquer prova cabal de seus atos criminosos.

Em face disso, Barbosa adotou então a teoria do “domínio do fato”, ou seja, responsabilizou principalmente quem exercia a autoridade ou o mando sobre aqueles feitos, alcançando o chefe da Casa Civil do governo de então.

Estamos diante de um caso semelhante e de gravidade maior, por envolver um verdadeiro genocídio de grande escala. Um crime ambiental de inúmeros efeitos, cometido repetidas vezes e a mesma impunidade. Vidas trocadas por pequenas multas, que logo serão menores e anistiadas; apostas no esquecimento, cansaço e desespero das vítimas; confiança nas bancas de grandes advogados a proclamar a força dos donos do poder.

Como então fazer com que a frase de efeito do presidente da Vale se transforme numa verdade ameaçadora, capaz de inibir os feitores verdadeiros e darmos um paço no sentido civilizatório? Como usarmos esse drama para que o “andar de cima” não veja as maiorias como ratos de esgoto e sim como cidadãos merecedores de tratamento digno.

Façamos como Joaquim Barbosa e adotemos nessa investigação a doutrina do “domínio do fato” e punamos aqueles que devem ser os verdadeiros responsáveis por essa tragédia e, tenho certeza absoluta:

“BRUMADINHO NUNCA MAIS”!