19 Nov 2019

O futuro da política contra a fome

Por   Ter, 16-Out-2018

Um estudo divulgado nesta semana no Economist mostrou que a opção pela alimentação vegana teria potencial de aumentar o suprimento de alimentos em um terço.

Uma alimentação baseada exclusivamente em vegetais é benéfica para o meio ambiente. A produção desse tipo de alimento demanda menos utilização de solo do que aqueles que têm por base a criação de animais.

Uma vez que os animais não armazenam toda a energia que consomem das plantações, mas usam também parte dela para se manter vivos, há um enorme desperdício no processo de produção, ou seja: ocupa-se uma área geográfica muito maior para alimentar uma pessoa à base de carne do que de legumes.

Segundo dados da Sociedade Vegetariana Brasileira, para um consumo diário de 24g de proteína de ovos, mais 311g de carnes e 430ml de leite, são emitidos 14kg de CO2 na atmosfera, e gastam-se 7Kg de soja e 3.400 L de água para nutrir e hidratar os animais.

É verdade que grande parte das terras utilizadas para pastagem não seriam adequadas para a produção agrícola. No entanto, um relatório recente do departamento de Alimentos e Agricultura da ONU contabilizou que a proteína viva criada como alimento ocupa 80% de toda a terra cultivável do planeta, oferecendo de volta apenas 18% das calorias ingeridas pela população.

Transformando essa informação em custos e valores, o Instituto Weizmann contabilizou que a dieta carnívora não apenas aumenta o desperdício, mas refreia a produção e o suprimento da população.

O grupo deu como exemplo que alimentar uma galinha para obter 1 grama de proteína do ovo custa 40% mais do que obter diretamente a mesma quantidade de proteína de plantas. No caso da carne bovina, o custo de alimentar o gado em busca do mesmo grama de proteínas é 96% superior à alternativa de se consumi-la diretamente dos vegetais.

Os cálculos mostraram que, se toda a população dos Estados Unidos migrasse para a alimentação vegana, também chamada de plant-based, o país aumentaria a oferta de alimentos em 33%.

No Brasil, segundo pesquisa do IBOPE deste ano, 14% da população já se declara vegetariana, um crescimento de 75% se comparado à mesma pesquisa realizada em 2012.

Segundo a Nutrikéo, empresa francesa de consultoria em estratégias alimentares, o mercado mundial de proteínas vegetais - que representava US$ 7,8 bilhões (R$ 25 bilhões) em 2013 - poderá superar os US$ 11 bilhões (R$ 35 bilhões) em 2018, o que significaria um aumento de 40% em cinco anos.

O crescimento da opção pelo alimento de origem vegetal tem se dado por uma série de motivos, entre eles o engajamento social, ambiental, tendências de mercado e opções de saúde. Porém, como mostram estatísticas pelo mundo todo, trata-se não apenas de uma alternativa viável para melhor suprir a demanda de alimentação da população mundial como também de um mercado repleto de oportunidades.