19 Set 2019

Bandeiras verde-amarelas pouco mudam

Por   Qui, 15-Ago-2019
Manifestação na Paulista: sempre os mesmos Manifestação na Paulista: sempre os mesmos

As manifestações de rua na última terça-feira, com a bandeira da Educação à frente, mostraram uma novidade de marketing nos movimentos de esquerda: a substituição das bandeiras vermelhas dos partidos como o PT e congêneres pelas bandeiras verde-amarelas, uma marca das manifestações pró-Bolsonaro. Com isso, pretendeu-se tomar literalmente a identificação do bolsonarismo com as causas nacionais e procurar atrair o cidadão comum, o não ativista, deixando para trás o negativismo associado ao desempenho do PT no governo federal.

Funcionou? Nem tanto.

Em cerca de 200 cidades, com 1,5 milhão de manifestantes no total, número estimado pela UNE, uma das promotoras do protesto, as passeatas pró-Educação trouxeram em sua maior parte palavras de ordem da esquerda, como "Lula Livre", lideranças do PT nos carros de som e críticas diretas a programas do governo. Como o "Future-se", na Educação, que cria a possibilidade de parcerias público-privadas, visto pela esquerda como uma brecha para a privatização do ensino público.

Verdadeiro ou não esse número, foi visível nas ruas que as manifestações do governo não tiveram sucesso na tarefa de ir além da militância de sempre. Não alcançaram nem mobilizam ainda a maioria da população - aquela massa geralmente meio apolítica, que se mudou para o lado de Bolsonaro no segundo turno da eleição, quer mudança e ainda espera resultados do governo para decidir de que lado ficar.

É o cidadão comum, que está desempregado ou trabalhando, e por uma das duas razões não tem tempo nem está aí para passeatas, quem realmente decide o destino político do país. Fez a escolha por Bolsonaro e ainda vê o governo com a expectativa de que as mudanças liberais tragam um sopro de ânimo na combalida economia e removam do caminho o dinossauro estatal criado pelo petismo.

Esse eleitorado vê com distância e certa ironia o discurso moralista do presidente e seus milicianos, tanto quanto a histeria da esquerda, robotizada a ponto de fazer vista grossa para a roubalheira que ajudou a levar o lulopetismo ao desastre.

Seria melhor se houvesse uma liderança de centro, voltada para o futuro e desconectada do passado, pela iconização seja da ditadura, seja de bandeiras socializantes, tão velhas quanto a múmia de Lênin. Esconder o vermelho sob o verde amarelo é apenas um truque barato que não disfarça a mesma coisa e não engana ninguém.

Por isso, não aumentam as hostes que foram às ruas esta semana, assim como o governo também não tem sido capaz de mobilizar o cidadão trabalhador para seus próprios manifestos.

O cidadão comum é um tipo arredio, apartidário ou mero simpatizante, que deseja o sucesso da Lava Jato, espera o sucesso do governo e gostaria de viver em paz. E sabe que, no final, dentro do jogo democrático, é ele que tem o poder - e vai decidir por quem trabalhar e resolver a seu favor, e não por interesses ideológicos ou próprios.