17 Out 2019

Banânia, o país dos coitadinhos

Por   Ter, 18-Dez-2018

O Brasil é por excelência o país dos coitadinhos. O vitimismo como fenômeno mundial é recente, mas no Brasil ele faz parte da história e da cultura. Está entranhado nas nossas vísceras. 

Como se sabe, pelas reportagens da imprensa cabocla, todo atleta de sucesso é um sobrevivente. Eu já acho que todo sujeito que chega à idade adulta nesta terra pode ser considerado um sobrevivente. O que o mosquito não contamina o trânsito aleija ou a bala mata.

Se o brasileiro quer ser atleta vitorioso, tem de abandonar o conforto do lar, ir morar na favela, embaixo da ponte ou nas ruas. Se seus pais forem atenciosos, trabalhadores e responsáveis, terá de trocá-los por outros, viciados, vagabundos e violentos. Para ser um atleta de sucesso, ele precisará ser um sofredor.

É o que se deduz do que sai na imprensa. Superação é a palavra. Adoram. Superação seria o Aécio Neves, criado a toddy, com aquela cara de primeiro da classe, virar atleta olímpico. Mas ele é só mais um playboy. Como o saudoso Jorginho Guinle, um bon vivant. Afinal, como Guinle fez com a riqueza que herdou, Aécio dilapidou o patrimônio, só que no caso dele político, deixado pelo avô. Ele gosta mesmo é da gandaia. E vai ser execrado, agora que está passando por seu inferno astral. Ninguém terá dó dele.

Bem diferente é o caso do Lula, guia genial dos povos da floresta urbana, que mesmo condenado a mais de 12 anos de cadeia e respondendo a mais 6 processos, enquanto aguardava o japonês da federal grampeá-lo fez um comício fora de época, no Recife. É proibida a campanha eleitoral fora do período legal, mas ele, coitado, é café-com-leite. É um coitadinho, pode tudo.

Tiraram até as palmeiras da praça onde o rodolula estacionaria. Um crime. Quem esperneou? Os ecologistas foram ali tomar um cafezinho com os ciclistas e não viram nada, que progressista que se preze não mete o nariz em assuntos do brama. Seus deslizes são relativizados.

Afinal, Lula teve uma infância pobre, filho de uma mãe que nasceu analfabeta, um retirante da gélida Garanhuns, nos alpes pernambucanos. Além disso, o coitado só tem nove dedos, um deficiente físico. Trata-se de um sobrevivente. Não sei como não virou atleta olímpico. Pelo menos um para-atleta.

No país dos coitadinhos, mérito é bulling. Uma escola de samba rebaixada não vai mais para o Grupo II. Vai para o Grupo de Acesso. E no julgamento não pode haver nota abaixo de 8, para não magoar o sambista.

O time que cai da Primeira Divisão não vai mais para a segundona, vai para o Série A2. Cometeu um latrocínio, mas tem só 17 anos e 11 meses, não é assassino, é jovem infrator, não vamos traumatizar o garoto com um estigma tão negativo. E não vamos mandá-lo para a penitenciária. Lá eles poderiam sofrer a má influência dos presos mais velhos. Ooops! Presos, não, reeducandos.

Menor criminoso não vai mais nem para a malfadada Febem. Vai para a renomeada Fundação Casa, tão mais meigo. Um condenado no Brasil só cumpre pena depois de passar pelo crivo de quatro instâncias de julgamento. Se der o azar de não ser inocentado em nenhuma delas, dificilmente terá o azar de ser julgado antes de o crime caducar. A tentativa de encarcerar depois da segunda instância está em prática provisoriamente. O Supremo ainda vai deliberar sobre o assunto. Os garantistas estão alvoroçados.

O coitadismo é o esporte nacional, mais popular que o futebol, o Carnaval e até a preferência nacional: a bunda. E olhe que os brasileiros têm uma fixação doentia em bunda. Têm até um ritmo-ritual, uma dança-culto ao traseiro. O funk é uma espécie de cerimônia de adoração ao derrière das moças. Elas dançam e o foco é o balanço da jaca.

O reflexo disso está em toda parte, principalmente na política, onde pululam os políticos bunda. Deve ser por isso que nos tornamos uma nação de bundas-moles. O coitadismo nos fez assim. E a esquerda tem sido a guardiã dessa fraqueza. Imaginem: aqui ainda temos stalinistas. Quer mais coitado? Um stalinista num país democrático no Século XXI é o mesmo que o último pássaro dodô. Não voa e não se reproduz, só faz comer e cagar.

Um desses espécimes, uma parlamentar do partido do Lula, afirmou em discurso no Congresso que em Banânia ocorrem 500 milhões de estupros por ano. O que daria 5 estupros para cada homem, jovem, adulto ou criança. Até o Alckmin teria de tirar o cinto de castidade e o cilício e dar umas chineladas na barata delas.

As mulheres seriam vítimas da outra metade da população, hordas de tarados movidos pela cultura do estupro, prontos para atacá-las. Coitadas. Deve ser por isso que outro militonto afirmou que no Brasil ocorrem 5 milhões de abortos por ano.

Num país no qual não se pode confiar nos números da inflação ou do PIB, vamos acreditar na estatística de um ato clandestino? Essa gente anda tomando chá de lírio, só pode.

Se ainda há stalinistas por aqui, não poderiam faltar os trotskistas. Tem coisa mais coitada que trotskista? Ao longo da história, sempre levaram bola nas costas. Ficam na periferia da esquerda, comendo as migalhas do poder. Uns fracassados da política. Mas como se dão bem, quando se trata de arrumar um empregão ou um carguinho. Para obter esse sucesso fazem cara de coitados, perseguidos, ficam de quatro, bajulam. Dão uma corridinha lá em cima (no chefe) e outra lá embaixo (na peonada). Parecem o macaquinho namorando a girafa. Ô coitados!

Só num país dominado pelo coitadismo têm tanto destaque os movimentos dos “sem”. Sem-teto quer casa e acha que o Estado tem de lhe dar uma. Os sem-terra invadem a propriedade alheia porque, coitados, não têm uma para chamar de sua. O engraçado é que os sem-educação não invadem escolas para estudar. Não pleiteiam aprender. Isso exigiria esforço e os coitados não estão acostumados a roer osso. Querem o que der pra ser de mão beijada.

O coitadismo se alimenta do paternalismo patrimonialista, do fisiologismo político e da demagogia. Chance zero de dar certo. Ou o Brasil acaba com o coitadismo ou ele acaba com o Brasil.