15 Nov 2019

As "forças ocultas" de Bolsonaro

Por   Sáb, 18-Mai-2019

O presidente Jair Bolsonaro mandou  o franco-pensador Olavo de Carvalho "calar a boca", segundo o próprio Olavo, por estar tumultuando o governo com seus xingamentos e declarações, disparados a torto e a direito. Seria um pouco de tranquilidade, ou uma nova era? Que nada. O presidente agora se encarrega pessoalmente de disparar torpedos contra o próprio governo.

Na manhã de sexta-feira, ele tratou de distribuir pessoalmente em diversos grupos de WhatsApp um texto de "autor desconhecido" sobre as dificuldades que estaria enfrentando para governar. O texto afirma que até agora ele não fez nada e o país está "disfuncional".

É um endosso importante, partindo do próprio objeto da crítica. Ao reproduzir o artigo, no qual o autor afirma que o presidente "até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou", o presidente procura chamar a atenção para as razões, que seriam o bloqueio das forças políticas e corporativas de sempre às suas propostas salvadoras.

Instado pela imprensa a explicar mais essa sua iniciativa nas redes sociais, o presidente declarou que achou o texto "no mínimo interessante". "Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos, sua leitura é obrigatória", disse. "Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões."

Bolsonaro agora vive perseguido por fantasmas. Receou uma conspiração do vice, Hamiltom Mourão, para tomar o seu lugar com apoio militar. Mandou embora um antigo colaborador, o ex-ministro Gustavo Bebianno, acusado de "traição". Acredita também que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, monta contra ele uma armadilha para levá-lo ao impeachment, impedindo medidas de contenção de gastos que o levariam a estourar o Orçamento e cair na Lei de Responsabilidade.

Bolsonaro fica cada vez mais com cara de Jânio Quadros. Além de eleger-se como paladino contra a corrupção, governar por bilhetinhos (agora eletrônicos) e querer legislar sobre a moral alheia, ele já achou também suas "forças ocultas" - os monstros imaginários com que Jânio justificou sua renúncia.