30 Mar 2020

A Zumbilândia saiu das telas

Por   Sex, 15-Nov-2019
Craqueiros na rua: proteção inexplicável Craqueiros na rua: proteção inexplicável

Enxugamos gelo na luta para acabar com as cracolândias

Na maior cidade do estado mais rico da Federação cresce um fenômeno que Hollywood imaginou como ficção. Estou falando da Zumbilândia, também conhecida como cracolândia.

Com São Paulo e o país dirigidos pela esquerda, a doença só fez crescer. Sob a administração atual a coisa não mudou. Prefeitura de centro esquerda, governo estadual de centro e governo federal de direita, não demos um único passo adiante para a solução do problema. Um problema que deveria nos envergonhar.

Não que não estejam fazendo nada. Estão enxugando gelo. As cenas são de terror. Farrapos humanos espalhados pelas calçadas, interditando ruas, fechando e falindo o comércio, tirando aos moradores o direito de ir e vir e desvalorizando seus imóveis.

A venda e consumo de drogas acontecem à luz do dia. A cena de um motociclista da Guarda Municipal sendo derrubado e linchado pelos viciados e seus colegas tendo de dar tiros para impedir a atrocidade dá bem a dimensão da guerra que se vive naquele território sem lei no coração da metrópole.

Especialistas dão entrevista propondo soluções milagrosas e politicamente corretas que não funcionaram em nenhum lugar da Terra. Por trás dessas propostas não se vê a perspectiva de solução do problema, mas o expert já fez seu comercial politicamente correto.

As autoridades fazem pouco e estão de mãos atadas para implantar soluções objetivas. Há sempre uma promotoria e uma miríade de ONGs a fazer guerrilha contra a ação governamental que possa por cobro à situação caótica.

Sociólogos, psicólogos e outros ólogos estão mais preocupados em se mostrar progressistas do que resolver o problema. E a população que encara horas dentro de um meio de transporte, rala no trabalho até às tantas - e muitas vezes sai do trabalho direto para a escola, numa luta insana para melhorar de vida - não merece dos progressistas a solidariedade ou mesmo uma dó cristã.

Na base dessas dificuldades para o poder público resolver essas questões está a conversão da esquerda revolucionária de defensora da classe operária em defensora do lumpesinato. A classe operária foi ao paraíso pelo inferno do trabalho sem passar pela revolução. Foi reduzida pela automação e o que restou dela se qualificou e melhorou de vida.

Já não busca a salvação pelo messias da revolução. Restou aos punhos erguidos as “causas nobres” e a defesa da marginália, o lúmpen, sua nova base de sustentação ideológica.

É nesse quadro que surgem mais entidades de defesa dos craqueiros do que viciados. E sua única função é dar suporte para que a Zumbilândia se mantenha sem que nada mude. Sua ação visa sustentar e dar algum conforto sem mexer no cenário apocalíptico instalado como câncer em determinados pontos da cidade.