19 Set 2019

A segunda guerra da lagosta

Por   Ter, 27-Ago-2019
Macron: disfarçando o descontrole sócio-ambiental dentro da própria casa Macron: disfarçando o descontrole sócio-ambiental dentro da própria casa

Macron ensaia uma farsa colonialista

Macron quer internacionalizar a Amazônia sob o argumento de que somos incapazes de cuidar de sua manutenção. Não deixa de ser verdade a referência à nossa inépcia, mas a França está muito longe de poder cuidar do quintal dos outros, pois está assistindo impotente à perda de autoridade sobre vastas áreas urbanas do país, tomadas por muçulmanos radicais que por lá impõem a sharia e impedem até mesmo a entrada de ambulâncias e bombeiros.

Um estudo sobre o assunto, ”Zonas Proibidas na República Francesa: Mito ou Realidade", levantou dezenas de bairros "onde a polícia e a gendarmerie não são capazes de aplicar a ordem republicana nem entrar sem correr o risco de confronto".

Outro estudo, “Subúrbios da República”, já constatara, em 2011, que vários subúrbios parisienses estavam se tornando “sociedades islâmicas separadas do estado francês”, onde a sharia imperava. A situação se agravava com a ação de muçulmanos radicais que promoviam a marginalização dos imigrantes, para mantê-los numa sociedade isolada da francesa.

O grupo Brigada das Mães documentou em vídeo a reação de muçulmanos à simples presença de mulheres em estabelecimentos comerciais nesses bairros. Equipadas com câmaras escondidas elas entravam nesses locais e logo eram rechaçadas. Nesses guetos a lei francesa não existe. Este é um fenômeno continental. Ocorre na Alemanha, na Inglaterra e em outras partes da Europa.

Se não dá conta de administrar seu território, como Macron espera resolver o problema das queimadas no vasto inferno verde da Amazônia? Em junho, o Estado francês foi condenado num processo movido por uma mãe, que junto com a filha, adoeceu devido à poluição do ar em Paris.

No final de 2016, Paris entrou em estado crítico por causa da poluição do ar recorde, durante o inverno. Este mês, no sul do país, uma onda de incêndios provocou o deslocamento de 10 mil pessoas para áreas seguras. Para combater o fogo os franceses contaram com a ajuda de bombeiros italianos. Se sofre para enfrentar o fogo, que não consegue evitar, na povoada França, como Macron acha que teria sucesso na vastidão da floresta tropical onde cabem oito Franças e meia?

A França não tem lições a dar, em matéria de respeito ao meio ambiente, mas tem muito a apresentar, quando se trata de desrespeitar a soberania de outros povos. Colonialista histórica, só recentemente admitiu ter forçado a Polinésia a engolir os testes nucleares na região. De 1966 a 1996 os franceses fizeram duas centenas de testes nucleares no atol de Mururoa, com destruição da flora e fauna marítimas e poluição mortal do meio ambiente. Atualmente, o conjunto de ilhas daquela região do Pacífico está cobrando da França uma indenização pelas explosões ali realizadas.

Com sua estratégia de gerar um conflito externo para mascarar as dificuldades que seu governo enfrenta internamente, Macron está prestes a provocar uma nova Guerra da Lagosta. Em 1961, a Marinha Brasileira flagrou barcos pesqueiros franceses atuando na costa de Pernambuco e forçou-os a se retirar. O incidente gerou uma crise diplomática, com o deslocamento de navios de guerra franceses para a região.

Por nosso lado, contam que o presidente Jânio Quadros já tinha em mãos os planos para a anexação da Guiana Francesa, loucura que não foi levada a cabo porque o brasileiro renunciou antes de botar as tropas na estrada.

Os tempos mudaram. No Planalto temos um presidente que não foge muito do figurino histriônico de Jânio Quadros, mas a França está longe de ter no Palais de l'Élysée um estadista como De Gaulle.