19 Nov 2019

A reforma da Previdência corre risco

Por   Seg, 18-Fev-2019

A Reforma da Previdência é um passo muito mais importante para a boa definição do nosso futuro do que ela representa para a solução do nosso problema fiscal, embora essa reforma seja também vital para o equilíbrio de nossas contas.

A crise brasileira chegou a um ponto tal e, ao mesmo tempo, o momento é tão oportuno, que é um imperativo da nacionalidade aprovarmos AGORA uma reforma eficaz da Previdência.

E digo eficaz porque, a oportunidade exige de todos nós um olhar mais ambicioso, que alcance a redefinição do nosso futuro e não apenas um objetivo próximo e passageiro. Temos que fazer do limão uma limonada! Exigindo um pouco mais de sacrifício de todos, sobretudo daqueles que nunca o fizeram.

Embora a transcendência do momento pareça clara, diversos interesses, mesquinhos e/ou imediatistas, além daqueles denunciados pela Lava Jato no rol da corrupção sistêmica, detentores de privilégios que impulsionaram a queda ou fragilização de vários governos anteriores, ameaçam essa reforma. Não os subestimo e, velhacos, os sinto operando nas sombras...

Mas há um adversário que mais me preocupa, porque perfila do lado da reforma, para não dizer que a patrocina: a dissonância entre as TRÊS tendências do governo Bolsonaro. Uma delas é composta por Jair e certos ministros sinistros e reacionários, já bem definidos pela opinião pública como medievalistas, mas que compõem um grupo descartável e relativamente inofensivo, uma espécie de “casca de ferida”.

Outra tendência, composta por Guedes, Moro, os militares e alguns técnicos honrados, que tem respondido pela vontade genuína de realizar a reforma, representa o lado oficial do governo a serviço da moderação presidencial.

E o terceiro grupo, a Família, formado essencialmente por Jair e os três filhos mandatários, que parece acreditar ter sido o pai eleito pela vontade de Deus (tanto que Jair superou um grave atentado, como se “ressuscitado”) e que por isso nada poderá detê-lo. Seus atos estariam blindados por “vontade superior”!

Essa concepção prepotente do grupo Família é a causa da minha preocupação. Ainda que o ESTADO PATRIMONIALISTA esteja fragilizado e o projeto central do governo seja do maior interesse público, o lobby regimental pouco se importa e joga com a divisão/dispersão da base parlamentar necessária para a aprovação da reforma.

Com efeito, a renovação dessa base ocorrida na última eleição não corresponde a uma nova classe política, com abdicação de interesses mesquinhos e/ou corporativistas...

Tanto é assim que bastarão os atos tresloucados e apolíticos praticados pela Família, somados ao passivo antiético existente, para despertar o apetite pelo toma-lá-dá-cá. Ora, se há um objetivo saudável buscado obstinadamente pelo presidente em sua campanha é a eliminação dessa prática política, cujo eventual retorno provocaria uma desarrumação ruinosa do governo.

Como a demissão do ministro da Secretaria Geral demonstra a força irredutível da Família e a imutabilidade de seus membros, creio que o cenário crítico tende a se agravar, ameaçando a reforma da Previdência e projetando suas funestas consequências para o País.

ESTA HIPÓTESE DEVE SER EVITADA A QUALQUER PREÇO!