24 Ago 2019

É a mesma lógica, gente!

Por   Qua, 11-Abr-2018

A indústria empreende um tímido, mas promissor exorcismo da crise, suficiente para sentir que é possível ser a Manufatura.4 , o modelo que todas querem ser quando voltarem a crescer. Parte deste sonho depende de nova atitude diante da comunicação com públicos internos e externos.

A cultura empresarial nas indústrias é fortemente marcada pela objetividade cartesiana dos engenheiros e pela matemática financeira de administradores; com algum alívio nas áreas de RH e Marketing, insuficiente contudo para acabar com o preconceito de que escrever bem é um dom que se traz do berço. Um preconceito que muitos profissionais - e não apenas engenheiros e administradores - trazem inscritos no cérebro, onde são reforçados diariamente pelas exigências da profissão e cacoetes criados pelo uso de suas ferramentas intelectuais.

A empresa que aspira ascender à quarta geração da revolução industrial, precisa encarar e vencer esta resistência mental.

A ideia equivocada tem raízes de tiririca, sobrevive às enxadas da lógica, tão dispersas e fundas estão no cérebro adulto, onde se instalam, desde o jardim de infância, os modelos inimitáveis de bons escritores. Uma extensa lista em que pontificam os Machado de Assis, os Guimaraes Rosa, os Paulo Coelho, apenas três nomes separados por tempo e tendências, para representar a longa lista de escritores bem sucedidos em nossa Literatura.

Com estes exemplos inimitáveis, a maioria humilhada se resigna a textos profissionais de qualidade medíocre porque afinal “ não nasceram com o dom”.

A biografia de grandes autores, contudo, mostra que, dotados ou não de alguma genética privilegiada, eles trabalhavam duro, experimentavam muito, cinzelavam textos e ideias até produzir... arte. Porque é isto o que a Literatura é. E não é isto o que se espera e o que é preciso no ambiente empresarial.

Estão todos convidados, portanto, a abandonar a desculpa de modelos inatingíveis para encarar a comunicação como mais uma tarefa profissional, uma técnica, simples até, se comparada com os quebra-cabeças que a eletrônica exige aprender e atualizar com frequência cansativa.

A técnica é segura, imutável e permite produzir e transferir informação, de forma clara, coerente, objetiva, concisa. Independe de herança genética, pode ser aprendida por todos que reconhecem a precedência das causas antes de consequências, distinguem fato das circunstâncias e reconhecem.

Alguns podem chama-la de gramática, mas é a mesma Lógica que a maioria aplica no seu cotidiano profissional.

A comunicação corporativa tem origem e história tranquilizantes; ela faz hoje o que sempre fez, das garatujas rupestres ao computador - que, a propósito, nasceu para calcular e virou a máquina de Comunicação e relacionamento. Como sempre, a Comunicação cumpre três tarefas: reduzir o tempo de transferir a mensagem, otimizar a audiência e garantir a fidelidade da informação.

Tempo e audiência dependem da tecnologia e de escolhas arbitrárias. Já os resultados da mensagem enviada dependem de sua qualidade – do interesse que desencadeia, da facilidade de compreensão, de sua estrutura lógica.

Este é o centro do processo da comunicação corporativa. Não há sentido em velocidade eletrônica e mega-audiências se a informação que trazem está corrompida, é inoportuna, inútil, errada e, na pior das hipóteses, cavilosa - os fake news, como se diz agora, ou factóides, como ouvíamos antes de Trump. As mentiras desde sempre .

No ambiente corporativo os riscos são grandes e insidiosos porque a informação chega e parte de gente confiável, companheiros de trabalho, gente bem intencionada e no exercício de funções chanceladas pela empresa. Sem qualidade, contudo, a informação é “fogo amigo”, confuso, obscuro, errado, letal para o lucro da empresa e para as carreiras dos seus executivos.