2 Jul 2020

A intervenção e o colapso do Rio

Por   Seg, 19-Mar-2018

A intervenção do Governo Federal no setor de segurança do Estado do Rio de Janeiro comporta, além da ação repressiva da polícia fluminense, um tardio piloto de caráter social empreendido pelas Forças Armadas e amplamente aceito.

No entanto, essa intervenção vai fracassar porque a corrupção policial e a expansão assustadora da atividade criminosa são efeitos secundários de uma crise sistêmica do regime PATRIMONIALISTA, que desde sempre domina o Brasil, mas entrou em ruína a partir de sua “descoberta (?)”, condenada pela Lava Jato.

O colapso total do Estado do Rio de Janeiro é sua consequência primeira e mais dramática, por se tratar da ponta desse iceberg em movimento destrutivo: o Rio é a matriz histórica do regime colonial, onde mais se enraizaram as espúrias relações do empresariado viciado nas práticas da “lei de Gerson” com as privilegiadas CORPORAÇÕES ESTATAIS.

Ao contrário do que espera o Governo Temer, a deterioração política, financeira e moral do Rio, ao invés de se reduzir, tende a se alastrar (como um tumor supurado) para os demais Estados da Federação, reforçando sua natureza estrutural e sistêmica, já que nossa desmoralizada classe política não percebeu a natureza devastadora dessa crise, e, ao compará-la com as anteriores, de simples ajustamento e não terminal, a vêem como mais um tremor passageiro... E tudo voltará ao “normal”! Vide a greve dos magistrados pelo “auxílio moradia” e a “normalidade” na vida dos mandatários investigados!!!

Apesar da alienação oficial, o fracasso da intervenção criará um clima insustentável para o governo federal, agravado agora com a ação tresloucada dos agentes do “quanto pior melhor”, ao executar a vereadora Marielle Franco, modelo de renovação da representação política que buscamos, por sua integridade, determinação e êxito pessoal reconhecido (independente de sua filiação partidária).

Sinto que os brasileiros sufocam o sentimento de revolta, apostando numa renovação da representação política em outubro, pf. Se essa renovação ocorrer e for significativa, somada à Nova Justiça encaminhada pela Lava Jato, poderemos esperar um resgate do poder de um Parlamento Republicano, usurpado pelas CORPORAÇÕES BUROCRÁTICAS.

Quebradas essas duas pernas do PATRIMONIALISMO – a velha justiça seletiva e o parlamento inútil –, o regime não resistirá mais, possibilitando nossa passagem ao duro e decisivo embate dessa etapa: o combate aos privilégios, a todos os privilégios, para que uma verdadeira República seja finalmente implantada no Brasil.

Será que teremos força para, ao fim e ao cabo, inscrevermos nas disposições transitórias de nossa Constituição um artigo em que “ficam anulados imediatamente todos os privilégios, incluídos aqueles que se resguardam como direitos adquiridos?” Amém!