18 Out 2021

Com 70,1% da população vacinados contra a Covid-19 com ao menos uma dose e 46,7% com a imunização completa, o Brasil ocupa 62o Lugar no ranking mundial. São 244 milhões de doses aplicadas, 99,6 milhões de pessoas totalmente vacinadas e cerca de 150 milhões com a primeira dose.

Ao mandar cortar a verba da pesquisa em 87% na semana passada, o governo mostrou mai suma vez a que veio. Não e trata de um governo conservador. Faz a opção pelo atraso, como é próprio do obscurantismo.

Ambos são acusados de populistas, categoria política que assolou a América Latina entre as décadas de 1930 e 1960 e que teve como seus maiores ícones o ditador brasileiro Getúlio Vargas e o caudilho argentino Juan Domingo Perón.

Contudo, quando estudados à luz de outros conceitos da Ciência Política, chega-se à conclusão de que tanto o atual presidente Jair Messias Bolsonaro quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são, na verdade, líderes messiânicos e têm como projetos políticos pessoais instaurar o messianismo no Brasil.

Stefan Zweig certa feita escreveu cinco ensaios sobre conhecidos episódios, os quais chama de "miniaturas da História", e os reuniu em livro batizado de "Momentos decisivos da humanidade".

O que posso fazer nestes dias assombrados pela covid-19 e abismados pelo errático governo federal é relembrar ideias que podem consolar e também ser úteis no futuro tempo de reconstrução do País. Porque ele se impõe como necessidade e urgência proporcionais ao tamanho do desastre imposto pela funesta conjunção pandemia–economia bolsonária.

Desde já antecipo que a principal ideia, e me concedo dizer obsessão deste artigo, é o protagonismo do Congresso Nacional . Ele é, em primeira e última instância, o Poder modelador do Desenvolvimento e Destino: porque só ele pode mudar a Constituição do País.

Em um momento decisivo da Segunda Guerra Mundial, após a retirada das tropas inglesas e aliadas em Dunquerque, na costa francesa, e antevendo a chegada em breve dos alemães no que seria a Batalha da Inglaterra, soaram no rádio as palavras do primeiro-ministro inglês Winston Churchill, conclamando os britânicos a lutar nas praias, campos, ruas e colinas: “Nunca nos renderemos”. Foi seu discurso mais famoso, que moldou não apenas o espírito dos ingleses como o próprio rádio, que se consolidou como instrumento político e de mobilização.

Aqui, no Burgo Panigale, passo meus dias desde a pior fase da pandemia, a Fase 1, aquela que, normalmente, antecede a Fase 2, na qual o país se encontra hoje: mobilidade com distanciamento e máscara, convívio social limitado, lugares alternados em ônibus, restaurantes e bares, fábricas da Ferrari e Lamborghini funcionando; um “momento cappuccino”, segundo os irônicos jornais ingleses – talvez sem se dar conta do temor de uma recaída que acompanha os italianos a cada saída para um café. As fronteiras com os vizinhos europeus foram reabertas, o que foi tratado como um Dia-D. 

O Brasil sofre com uma malformação histórica, que é a crença das suas elites de que a conveniência do momento é mais importante que a segurança institucional. Isso fez com que apelassem a Lula, apoiando o PT para o governo, numa época em que o Brasil demorava a ter crescimento econômico. Foi a mesma elite que deu apoio a Bolsonaro, depois que o Estado gastou tudo o que tinha, dando poder de compra artificialmente ao consumidor de classe baixa, e o Estado falido ameaçava tomar os lucros de volta, aumentando impostos. Entrou Paulo Guedes como garantia desse acordo, e Bolsonaro está aí.

Essa onda crescente de defender a intervenção militar no processo político vem provocando uma calamitosa confusão de conceitos sobre o que seria, afinal, uma ditadura – e, mais que isso, o que foi o regime militar instaurado no Brasil em 1964. 

No final da semana passada, quando a curva das contaminações pelo Covid começava a baixar nos Estados Unidos e na Rússia, o Brasil se tornou o único país com superpopulação a ver o número de contaminações e mortes ainda subindo como um foguete - e figurou no discurso da OMS como o novo "epicentro" da pandemia mundial.

Não podia dar outra, porque na periferia das metrópoles e em muitas cidades pelo interior do país a população permanecia na rua, infensa aos apelos das autoridades estaduais e municipais para manter o isolamento.

Página 1 de 36