26 Jan 2020

Escrevi e publiquei há alguns anos artigo sobre o AI5, ou Ato Institucional nº 5, levando em conta a minha própria experiência como acadêmico quando este entrou em vigor, e avaliando-o, sem exageros, como um dos atos mais insanos e autocráticos cometidos no País, mesmo durante a ditadura militar, principalmente no terreno da liberdade da expressão.

Um programa que parece enredo de Carnaval: bom, bonito e barato

Existe hoje um questionamento em todo  mundo da legitimidade dos atuais regimes democráticos, em boa parte porque eles parecem não responder à dinâmica da vida contemporânea. Empresas transnacionais escapam ao controle do Estado, surgem moedas virtuais, o mercado elimina fronteiras e vai tornando inúteis barreiras entre nações. A concentração de renda aumenta o bolsão da miséria, ao mesmo tempo em que as redes sociais dão grande poder ao cidadão e toda a população de pressionar por melhores condições de vida. A tecnologia propicia a mobilização social e a revolta hoje se dirige contra o próprio sistema, cujo modelo representativo é mais antigo que a abolição da escravatura. No entanto, em vez de perguntarmos como a tecnologia irá destruir a democracia, seria bom refletirmos sobre como a tecnologia poderia funcionar para melhorá-la.

Cresce, em todo o mundo, a preocupação com a democracia. Na era digital, o sistema representativo, num mundo em permanente mutação, com pressão constante e direta pelas redes sociais, parece envelhecido.

Critica-se a lentidão das decisões do processo democrático e o que seria um bloqueio por parte do Congresso e da Justiça das reformas necessárias no Brasil e no mundo inteiro.  Teme-se que as redes sociais possam influir demais ou mesmo distorcer eleições e a própria democracia. 

"A defesa da liberdade de expressão depende da percepção de que, num livre mercado de ideias, as melhores vão vencer", disse Francis Fukuyama, o mesmo que, em um livro de sucesso do passado, já tinha anunciado o "Fim da História", como o triunfo final do liberalismo democrático. "Com os algoritmos das redes sociais, isso não é verdade."

Por essas razões, é melhor  lembrar por que até a pior democracia ainda é melhor que o melhor dos regimes autoritários.

A volta do sarampo, da cachumba e do esquerdismo

O ex-presidente Lula saiu da prisão já concertando como será sua ação política nos próximos tempos, com vistas, ninguém se engane, a retomar o poder. Depende de limparem sua barra no Supremo Tribunal Federal, o que, por incrível que pareça, se encontra bem encaminhado, com a benção até mesmo do presidente Jair Bolsonaro, que não quer ver também o filho Flavio e sabe mais quem atrás das grades.

O plano de Lula tem uma vertente principal. Pode-se entender qual é a partir de uma fala aparentemente despretensiosa do ex-presidente, em conversa com o seu núcleo organizador. "Eu não posso ver mais jovem de 14, 15 anos, sendo assassinado pela polícia porque roubou um celular”, disse ele.

Enxugamos gelo na luta para acabar com as cracolândias

Ao publicar em sua capa a identidade do porteiro do condomínio onde mora o presidente Jair Bolsonaro, a revista Veja pretendeu dar um "furo" de reportagem - uma notícia exclusiva, no jargão jornalístico. Na verdade, praticou um tipo de jornalismo que só pode ser classificado de duas formas: inconsequente, ou tendencioso. Juntou mais um enigma a uma teia de perguntas que relacionam o nome de Bolsonaro à morte da vereadora Marielle Franco. E que, se não configuram prova  alguma, bastam no mínimo para mostrar que o Brasil gosta de viver perigosamente.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, membro da tríade bolivarianista sulamericana, cujas outras duas pontas são Lula e Nicolás Maduro, renunciou neste domingo, expelido pelas Forças Armadas, sob pressão popular.

Seu governo de opereta ficou insustentável, depois da revolta popular na qual as casas de sua irmã e de dois governadores foram incendiadas.

A explosão de ódio é o ponto final da desilusão com a falta de soluções para a retomada do emprego e a redução das desigualdades sociais, além, no caso boliviano, da falta de liberdade.

Não são apenas as ideologias de esquerda que estão sendo asfixiadas. Na Argentina, o capitalismo liberal de Macri perdeu para o kirschnerismo, que voltou ao poder, mais por Macri ter sido um desastre pior que por fé nas fórmulas da esquerda populista.

O Chile, outro modelo do capitalismo liberal com o qual se prometeu melhorar a vida da população, também foi tomado pelas manifestações de rua, a partir de um aumento de centavos no transporte público, que foi a gota d' água.

Depois da onda conservadora, que levou ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro no ano passado, o Brasil assiste a uma reação contra a reação.

Ela começa pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, agora no poder, para quem o Estado persecutório pode ter ido longe demais. Especialmente porque ele mesmo e seu filho Flávio entraram na mira do investigacionismo, por conta de sua vida no Rio de Janeiro, com contas obscuras, funcionários fantasmas e uma bizarra vizinhança com os suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco.

A ideia de que é preciso refrear a Justiça, de modo a não oficializar o justicismo, instalou-se no Supremo Tribunal Federal, que mudou sua postura. Mesmo numa votação apertada, o STF mandou soltar todos os condenados em segunda instância, o que coloca uma fila de empresários e funcionários públicos de volta na rua, desfazendo a obra da Lava Jato.

Página 1 de 32