15 Set 2019

Pouca gente sabe, mas fui sondado para ser ministro do governo Bolsonaro.

Tudo começou quando Olavo de Carvalho, lá na Virginia, navegava na internet e deu com meu blog. Chamou atenção do filósofo mais importante da Astrologia, um artigo que eu escrevera - em tom francamente irônico - sobre a necessidade de dar-se posse de armas aos Quakers. 

A jornalista Cristina Serra passou os últimos dois anos trabalhando em um ambicioso projeto: escrever um livro-reportagem sobre Mariana, onde o estouro da barragem do Fundão atirou uma avalanche de lama, areia e rejeitos de minério de ferro sobre a cidade histórica, deixando um rastro de morte e desolação por mais 660 quilômetros abaixo no rio Doce.

Mais conhecida como repórter do Jornal Nacional e do Fantástico da Rede Globo, onde cobriu política em Brasília e trabalhou como correspondente em Nova York, hoje também colunista de A República, Serra é um caso raro de jornalista que trafega bem em todos os tipos de veículo.

Assim como seu colega Caco Barcelos, autor de Abusado e outros best sellers, e Paulo Markun, de O Brado Retumbante e obras premiadas, ela se mostra tão à vontade no texto quanto diante da câmera de TV. E produziu, em livro, uma reportagem que tem um impacto tão visual para o leitor que parece ser lido como quem vê um documentário.

Se os livros foram feitos para vestir salas, as nossas residências estão nuas em pelo. Dizem que atualmente os objetos menos desejados da Tok&Stok e Leroy Merlin são as estantes. Ninguém mais quer estantes. A crise no setor carpinteiro de prateleiras e mãos francesas é maior que o das megalivrarias juntas.

É uma linda manhã e o sol banha de dourado o espelho d’água do Paranoá.

O telefone da portaria tocou e o Severino veio me chamar, pobre homem subindo sete andares pela escada. O elevador do ministério está em manutenção.

Sala de apartamento de classe média paulistana. O ambiente é abarrotado de objetos inúteis, porta-retratos com fotos de familiares, plantas em vasos, baixelas, quadros com paisagens marinhas, pratinhos de porcelana pendurados em todos os cantos. Um cão pequinês, bem velhinho, dorme a sono solto no piso frio. 

Uma intimidade, mas conto pra vocês.

Tive um amor maduro. Maduro eu, porque o amor era bem mais jovem.

- Se o brasileiro é rico roubou. 

Mais um ano sem ganhar o Jabuti.

Já faturei o leão, a borboleta e o veado - tudo no bicho - mas esse maldito cágado, eu nunca levo. 

Estavam Catacrese e Anáfora conversando nas linhas de um texto que certo cronista escrevia à moda antiga, num bloco de notas usando lápis número dois. 

Bohemian Rhapsody, o filme que retrata a vida de Fred Mercury e do Queen, ícones da música pop dos anos 1970 e 1980, não é apenas um grande filme, por várias razões. É também uma lição do Brasil para o Brasil.