22 Jan 2020

Com a morte de João Gilberto, aos 88 anos, vai embora uma era do Brasil, como não haverá mais.

João cantava MPB, mas dava à música popular estatura de música clássica.  Em seus shows, só aparecia vestido em traje social, de terno e gravata. Suas canções eram de banquinho e violão, mas ele cantava com um rigor e uma compenetração de concertista.

João inspirou toda uma geração de músicos e de música que transbrodou do Brasil para o mundo. Hoje a Bossa Nova Nova é música até no elevador de hotel em Nova ork. E ele, com seu biquinho e sua voz aveludada, foi o grande mentor e expoente inicial dessa onda, que deixou uam marca de inteligência e refinamento na culturanacional, hoje depauperada em rima, melodia e letra, sinal do empobrecimento geral da nossa educação.

Morreu nesse dia 6 de julho, aos 88 anos, o compositor, cantor e pai da Bossa Nova João Gilberto. Ele estava recluso há anos, em seu apartamento no Rio, onde recebia pouquíssimas pessoas. Quando completou 80 anos, em 2011, João Gilberto, um dos mais respeitados músicos deste país, planejava uma turnê com um total de oito apresentações, por cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, com início previsto para 29 de agosto e término em 30 de novembro daquele ano. Era o projeto 80 anos.

Uma Vida Bossa Nova, que deveria gerar CDs e DVDs. Por motivos de saúde, a turnê foi adiada. Nunca mais houve show do gênio do violão minimalista que se valia da batida de uma mão direita originalíssima para encantar gerações de ouvintes pelo mundo todo.

A partir desta sexta-feira, a Netflix exibe a segunda temporada da série O Mecanismo, do diretor José Padilha, inspirada na Operação Lava Jato.

Depois de publicar o segundo volume de suas memórias, O Livro de Jô, o multihomem Jô Soares resolveu contar histórias de sua vida no palco do teatro Faap, no espetáculo O Livro ao Vivo, de quinta a domingo. Sentado diante da plateia, usando apenas o seu magnetismo pessoal como instrumento, ao lado do jornalista Matinas Suzuki Jr como um "entrevistador", é o mesmo Jô de sucesso garantido: o Jô do teatro, do cinema, das entrevistas e das colunas na imprensa, com inteligência aguda, virtude cada vez mais rara, tão rara quanto fundamental.

A ridícula patrulha contra o telefone celular

Os boêmios do velho Rio costumavam desdenhar o banho de mar: “Intelectual não vai à praia, intelectual bebe”, diziam. Bobagem. Millôr era “o” intelectual e jogava frescobol, esporte do qual foi um dos criadores, nas areias de Ipanema.

Nos últimos tempos, vivemos com a permanente sensação de que a desgraça está na nossa porta. Todo dia acontece alguma coisa trágica. Ou várias.

Dois estudantes mataram colegas numa escola na Grande São Paulo. No dia seguinte, quatro atiradores matam 50 pessoas e ferem outras tantas em mesquitas da... Nova Zelândia.

Não foi só isso. Fiquei sabendo também que morreram milhões de abelhas no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, por conta da dedetização. Isso é um grave dano ecológico, porque a produção de alimentos depende - e muito - da polinização.

Tá fácil?

Todo dia, parecemos à beira da catástrofe. Quando não é tragédia, é fofoca. Sabemos tudo e da vida de todos. Você viu que a Luana Piovani se separou do marido? A briga de Neymar e Marquezine no carnaval por causa da Anitta? E olha que isso nem parece novidade.

E o governo, então? Parece a novela das oito. Todo dia, ficamos sabendo quem passou a perna em quem. Cada disparo do presidente no Twitter é uma crise nacional. Esse Olavo está todo dia no Youtube xingando alguém.

Na imprensa, não existe mais a manchete do dia. É a manchete do minuto. Será que precisamos saber de tudo? 

Será que o mundo sempre foi cheio de problema assim ou nós é que agora demos pra ficar sabendo de tudo o tempo todo, só porque a internet não gasta papel?

O fato é que a transformação do noticiário num rosário de infortúnios em tempo real acaba sendo estressante. E vai virando vício. É de pirar. 

Chego a sentir saudade do tempo em que a gente ficava sabendo das coisas só às oito da noite, pelo Jornal Nacional. Ou no dia seguinte, pelo jornal impresso. O mundo não acabava. Esperava pelo menos o dia seguinte pra acabar.

Pior ainda é a discussão posterior. Além da notícia, surgem os milhões de comentários. Somos bombardeados com as ideias alheias.

Se você não fala nada, passa por morto. Se fala qualquer coisa, leva  de volta uma saraivada de balas. O patrulhamento virtual faz parte desse sistema demoníaco para nos deixar com os nervos à flor da pele.

Resolvi que não dá para continuar assim. Já arrumei um pedaço de pau, vou para Compostela fazer a caminhada do desapego.

Não estranhem se no próximo mês eu não responder ao celular.

O concurso das escolas de samba e seu pitoresco criador 

O samba é puxa-saco e mercenário

POR JULIO CESAR DE BARROS

"Green Book: O Guia" recebeu na madrugada desta segunda-feira o Oscar como o melhor filme do ano passado. Premiou o talento de um grande filme e a corrente politicamente correta da Academia americana, que coloca em evidência a temática do racismo com final feliz.

Outro cotado para o prêmio, "Roma", teria sido um escolha ainda mais ousada.

Sua temática é também politicamente correta - fala sobre imigração, tema delicado para a política americana na era Trump. Mais que tudo, foi veiculado pelo Netflix, a neo-indústria do cinema, que ameaça a própria produçao tradicional. Ficou com o prêmio de melhor filme estrangeiro e diretor, para Alfonso Cuarón.

Green Book recebeu mais duas estatuetas: a de roteiro original e ator coadjuvante, para Mahershala Ali. "Roma" também levou três prêmios, incluindo o de fotografia.

A cinebiografia de Freddy Mercury, "Bohemian Rhapsody" recebeu prêmios técnicos de mixagem e edição de som e o de melhor ator para Rami Malek, por sua interpretação como Mercury.

Green Book foi baseado na história real de Tony Lip (Viggo Mortensen), ítalo-americano preconceituoso, contratado como motorista e segurança do refinado pianista negro Don Shirley (Mahershala Ali), durante sua turnê pelo sul dos Estados Unidos, nos anos 60. É mais um libelo contra a discriminação, com um ponto de vista original, pois neste caso o patrão era o negro e o branco, seu subalterno, inversão de papéis muito bem explorada do ponto de vista dramatúrgico, num tempo em que a discriminação continua um assunto no topo da pauta da sociedade ocidental.

Segundo o "Deadline", Spike Lee, diretor de "Infiltrado na Klan", conhecido por seus filmes sobre racismo, teria protestado contra a vitória de Green Book, virando as costas enquanto a equipe do filme rival comemorava o Oscar de melhor filme no palco.

Lee estaria se juntando aos ativistas negros que protestaram contra "Green Book", depois que a família de Don Shirley contestou a veracidade de episódios do filme, afirmando que a relação entre ele e seu motorista não teria sido daquela forma.

"Eu senti que estava sentado bem perto do campo em um jogo, e vi o árbitro fazendo uma marcação errada", disse Lee.

O episódio soou como coisa de mau perdedor. Já outros artistas como Lady Gaga, vencedora do Oscar de melhor canção original por Nasce Uma Estrela, preferiram a humildade. "Não é uma questão de vencer, é uma questão de não desistir", disse ela. "Não importa quantas vezes você seja recusado, lute pelo seu sonho."

A primeira espaçonave de Israel destinada à Lua decolcou na Flórida na quinta-feira (21), na primeira missão lunar com financiamento privado e que pode tornar o país a quarta nação a alcançar a superfície lunar, depois dos Estados Unidos, da Rússia e da China.