24 Ago 2019

Estreou nos cinemas brasileiros "Era uma vez em Hollywood", filme de Quentin Tarantino, que como sempre traz a marca da ultra-violência, com uma diferença: como em Bastardos Inglórios, brinca com um episódio chocante da vida real.

Ao colocar na tela a história da amizade entre o escritor Émile Zola e o pintor Paul Cezanne, a diretora francesa Danièle Thompson produziu também uma pequena obra-prima do cinema, que vai passando discretamente no circuito mais cult das cidades brasileiras.

O americano Keven Walgamott, que teve seu braço direito amputado, agora pode não apenas realizar operações humanas com uma mão cibernética como sentir a sensação do toque, que lhe permite dosar a força e reconhecer objetos pelo "tato". "A coisa mais incrível é ver o que eles são capazes de fazer", disse dos cientistas o próprio Walgamott, que pode distinguir tamanhos e objetos delicados mesmo sem olhar.

Com a morte de João Gilberto, aos 88 anos, vai embora uma era do Brasil, como não haverá mais.

João cantava MPB, mas dava à música popular estatura de música clássica.  Em seus shows, só aparecia vestido em traje social, de terno e gravata. Suas canções eram de banquinho e violão, mas ele cantava com um rigor e uma compenetração de concertista.

João inspirou toda uma geração de músicos e de música que transbrodou do Brasil para o mundo. Hoje a Bossa Nova Nova é música até no elevador de hotel em Nova ork. E ele, com seu biquinho e sua voz aveludada, foi o grande mentor e expoente inicial dessa onda, que deixou uam marca de inteligência e refinamento na culturanacional, hoje depauperada em rima, melodia e letra, sinal do empobrecimento geral da nossa educação.

Morreu nesse dia 6 de julho, aos 88 anos, o compositor, cantor e pai da Bossa Nova João Gilberto. Ele estava recluso há anos, em seu apartamento no Rio, onde recebia pouquíssimas pessoas. Quando completou 80 anos, em 2011, João Gilberto, um dos mais respeitados músicos deste país, planejava uma turnê com um total de oito apresentações, por cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, com início previsto para 29 de agosto e término em 30 de novembro daquele ano. Era o projeto 80 anos.

Uma Vida Bossa Nova, que deveria gerar CDs e DVDs. Por motivos de saúde, a turnê foi adiada. Nunca mais houve show do gênio do violão minimalista que se valia da batida de uma mão direita originalíssima para encantar gerações de ouvintes pelo mundo todo.

A partir desta sexta-feira, a Netflix exibe a segunda temporada da série O Mecanismo, do diretor José Padilha, inspirada na Operação Lava Jato.

Depois de publicar o segundo volume de suas memórias, O Livro de Jô, o multihomem Jô Soares resolveu contar histórias de sua vida no palco do teatro Faap, no espetáculo O Livro ao Vivo, de quinta a domingo. Sentado diante da plateia, usando apenas o seu magnetismo pessoal como instrumento, ao lado do jornalista Matinas Suzuki Jr como um "entrevistador", é o mesmo Jô de sucesso garantido: o Jô do teatro, do cinema, das entrevistas e das colunas na imprensa, com inteligência aguda, virtude cada vez mais rara, tão rara quanto fundamental.

A ridícula patrulha contra o telefone celular

Os boêmios do velho Rio costumavam desdenhar o banho de mar: “Intelectual não vai à praia, intelectual bebe”, diziam. Bobagem. Millôr era “o” intelectual e jogava frescobol, esporte do qual foi um dos criadores, nas areias de Ipanema.

Nos últimos tempos, vivemos com a permanente sensação de que a desgraça está na nossa porta. Todo dia acontece alguma coisa trágica. Ou várias.

Dois estudantes mataram colegas numa escola na Grande São Paulo. No dia seguinte, quatro atiradores matam 50 pessoas e ferem outras tantas em mesquitas da... Nova Zelândia.

Não foi só isso. Fiquei sabendo também que morreram milhões de abelhas no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, por conta da dedetização. Isso é um grave dano ecológico, porque a produção de alimentos depende - e muito - da polinização.

Tá fácil?

Todo dia, parecemos à beira da catástrofe. Quando não é tragédia, é fofoca. Sabemos tudo e da vida de todos. Você viu que a Luana Piovani se separou do marido? A briga de Neymar e Marquezine no carnaval por causa da Anitta? E olha que isso nem parece novidade.

E o governo, então? Parece a novela das oito. Todo dia, ficamos sabendo quem passou a perna em quem. Cada disparo do presidente no Twitter é uma crise nacional. Esse Olavo está todo dia no Youtube xingando alguém.

Na imprensa, não existe mais a manchete do dia. É a manchete do minuto. Será que precisamos saber de tudo? 

Será que o mundo sempre foi cheio de problema assim ou nós é que agora demos pra ficar sabendo de tudo o tempo todo, só porque a internet não gasta papel?

O fato é que a transformação do noticiário num rosário de infortúnios em tempo real acaba sendo estressante. E vai virando vício. É de pirar. 

Chego a sentir saudade do tempo em que a gente ficava sabendo das coisas só às oito da noite, pelo Jornal Nacional. Ou no dia seguinte, pelo jornal impresso. O mundo não acabava. Esperava pelo menos o dia seguinte pra acabar.

Pior ainda é a discussão posterior. Além da notícia, surgem os milhões de comentários. Somos bombardeados com as ideias alheias.

Se você não fala nada, passa por morto. Se fala qualquer coisa, leva  de volta uma saraivada de balas. O patrulhamento virtual faz parte desse sistema demoníaco para nos deixar com os nervos à flor da pele.

Resolvi que não dá para continuar assim. Já arrumei um pedaço de pau, vou para Compostela fazer a caminhada do desapego.

Não estranhem se no próximo mês eu não responder ao celular.

O concurso das escolas de samba e seu pitoresco criador 

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