28 Nov 2021

Weintraub fica em silêncio pela primeira vez

  Sex, 29-Mai-2020
Weintraub: holocausto político Weintraub: holocausto político

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, gosta de falar - especialmente sobre assuntos fora de sua área ou que não lhe competem. Na já célebre reunião do governo em 22 de abril, disse que, por ele, "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". Chamado a depor pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news, nesta sexta-feira, dia 29, pela primeira vez calou-se. Preferiu nada responder.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, viu nas declarções de Weintraub indícios não somente de injúria e difamação como crime contra a segurança nacional. Deu cinco dias para que Weintraub prestasse depoimento à PF no âmbito do inquérito das fake news. Weintraub compareceu como investigado. Compareceu para depor, pela manha, na sede do próprio ministério, mas recusou-se a testemunhar.

O governo chegou a pedir um habeas corpus preventivo para evitar que ele prestasse depoimento, cujo mérito seria julgado pelo próprio STF. O documento foi assinado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, com base no argumento de que Weitraub seria constrangido no direito à liberdade de expressão. Porém, era tarde para suspender a convocatória.

O presidente Jair Bolsonaro não pensa em mandar o ministro embora. Ao contrário, resolveu condecorá-lo. No mesmo dia, 29 de maio, pregou no peito de Weintraub a Ordem do Mérito Naval. Prestigiado, Weintraub soltou novamente a matraca, acusando a Polícia Federal de ser nazista pelo Twitter.

"Primeiro prenderam quem defendia a liberdade", escreveu ele. "Depois, a grande mídia nazista, dos poderosos, afirmava: 'O Holocausto não existe'. Lutar pela liberdade de expressão? De opinião, de pensamento, de informação? 'Bobagem, peguem a senha e aguardem na fila'."

Criticado pela comunidade judaica, ele insiste em emitir opiniões sobre o assunto, alegando ter "direito de falar do Holocausto". Como licença, informa que seus avós eram judeus. "Não preciso de mais gente atentando contra minha liberdade", tuitou.

Desanima que na Educação se movimente um ministro que à anti-matéria da posição que ocupa. "É uma pena para o Brasil ter um ministro desqualificado", disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em live organizada pela revista Istoé. "Homem com essa qualidade não poderia ser ministro de pasta nenhuma."

O que Maia não pode falar, mas deve pensar, é que o homem que sustenta Weitraub no cargo, também.