6 Jun 2020

Videoconferência com governadores: Bolsonaro libera 60 bilhões para estados e municípios

  Qui, 21-Mai-2020

Em videoconferência nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom mais ameno, diante de governadores que aguardavam a resposta sobre o projeto aprovado pelo Congresso com uma ajuda de 60 bilhões de reais aos cofres de estados e munícípios.

Além dos 60 bilhões em transferência direta de recursos diretos, o projeto prevê uma desoneração de estados e municípios em outros 60 bilhões com a suspensão do pagamento de dívidas ao tesouro nacional.

Bolsonaro afirmou que vai aprovar a ajuda, com ressalvas. Entre elas, está a contenção da expansão salarial do funcionalismo público. Disse que o governo chegou a estudar o corte de 25% dos salários para gerar caixa, mas que deve apenas reter reajustes até o final de 2021, "o que vai ser bom, porque seré um sacrifício menor, mas vai ajudar 210 milhões de brasileiros".

O veto aos reajustesno projeto foi pedido pelo Ministério da Economia. 

O texto está na mesa de Bolsonaro sanção ou veto desde o dia 6 de maio.

O presidente adotou com os governadores um tom conciliador, apesar de tê-los criticado antes num encontro com apoiadores. "Imaginem uma pessoa do nível dessas autoridades estaduais na Presidência da República, o que teria acontecido com o Brasil já", disse. "Vocês vão ter que sentir um pouco mais na pele quem são essas pessoas para, juntos, a gente mudar o Brasil."

Na videoconferência, além de Bolsonaro, participaram os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM) e Davi Alcolumbre (DEM), que encaminharam o projeto, além de alguns ministros - e do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, que circulava por ali, falando ao ouvido dos presentes.

Bolsonaro disse que a suspensão dos reajustes dos servidores será sua "cota de sacrifício". "Em comum acordo com os poderes, concluímos que congelando o salário esse peso seria menor", disse Bolsonaro.

 

O presidente afirmou que quer colaborar para o esforço "de mitigar problemas e atingir na ponta da linha aqueles que são afetados por essa crise, cuja dimensão ainda não sabemos". "Sabemos que ela realmente prejudicou em muito o Brasil e o mundo todo", afirmou.

Alcolumbre, autor do projeto, mostrou-se alinhado com presidente. "Entendemos que o senhor está sofrendo pressões, mas acho que é momento da unidade nacional que todos nós estamos dando uma cota de sacrifício", disse ele. "Os governadores entendem importante vetar esse artigo dos aumentos [dos servidores]."

Resta definir quando o dinheiro sairá e quais outros vetos Bolsonaro poderá fazer ao projeto, mas a volta ao diálogo já foi comemorada entre as partes. "Esta unidade vai criar, com certeza, todas as condições para que, em um segundo momento, possamos tratar a pós-pandemia, a nossa recuperação econômica e a recuperação dos empregos dos brasileiros", escreveu no Twitter Rodrigo Maia.