23 Jul 2019

PSDB arma rebelião contra os velhos caciques

  Qui, 11-Jul-2019
Aécio: na berlinda Aécio: na berlinda

Depois do ex-governador paulista Geraldo Alckmin dizer que "ninguém está feliz na política, nem no PSDB", onde cresce a figura do governador atual, João Dória, outras dissenções ameaçam desfigurar o partido, como resultado da chegada da Lava Jato ao alto tucanato.

Alckmin, assim como José Serra, tem seus governos investigados por conta das operações na Dersa, em especial as desapropriações e outras atividades suspeitas na contratação de obras do Rodoanel.

Indiciado na Justiça por receber propina da JBS, e desmoralizado publicamente pela conversa telefônica vazada com Joesley Batista, aquela do "tem de ser um que a gente manda matar antes da delação", o ex-senador e agora Aécio Neves é outro cuja presença também incomoda dentro do partido.

Alguns, como o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), defendem que ele seja expulso do partido. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, chegou a ameaçar: "ou ele, ou eu".

Outros afirmam que o partido deve respeitar o “direito de defesa” do deputado no conselho de ética da sigla.

O que acidulou os companheiros de partido foi o fato de que na semana passada a Justiça Federal aceitou a denúncia contra Aéciopor pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista. Como virou deputado, Aécio perdeu o foro privilegiado e o inquérito caiu do Supremo tribunal Federal para o foro paulista.

O cerco a Aécio gerou uma petização do PSDB, que tem de tomar agora uma decisão sobre os investigados do partido - se os expulsa, se os apóia ou se faz cara de paisagem.

“Espero que o bom senso prevaleça e que todo e qualquer membro do partido que porventura venha a ser objeto de questionamento ético tenha respeitado seu direito de defesa no conselho de ética do partido”, disse à Folha o deputado Paulo Abi-Ackel, presidente do diretório estadual do PSDB em Minas Gerais. “A presunção de inocência é uma conquista do Estado democrático de Direito e no PSDB essa regra não será diferente.”

O próprio Aécio preferiu nada comentar sobre a situação.

Em maio, o PSDB aprovou na convenção nacional um novo código de ética e disciplina. Favoreceos investigados da sigla: pelo texto, um membro do partido só pode ser expulso após todo o processo do conselho de ética.

No último dia 4, o diretório municipal do PSDB de São Paulo enviou ao conselho uma moção pedindo a expulsão de Aécio. Covas acelerou a pressão sobre Aécio. Aliados do deputado procuraram o presidente nacional do partido, Bruno Araújo (PE), que indicou a intenção de seguir o regimento interno. Mas a rebelião está armada.

"Não podemos abrir mão da bandeira da moralização sempre defendida pelo PSDB”, disse à Folha Geraldo Malta, coordenador do grupo evangélico do partido.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Doria afirmou que a presença de Aécio no PSDB gera “mal-estar”. "O melhor seria uma saída espontânea", disse ele. “Esta é uma solução política e eticamente adequada, mas é uma decisão que compete a ambos. Mas, se não adotarem, o PSDB vai adotar."