19 Nov 2019

O tamanho da queimada na Amazônia

  Ter, 03-Set-2019

O presidente Jair Bolsonaro demitiu o ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais, o Inpe, Ricardo Galvão, por dar o alarme contra o aumento das queimadas na Amazônia - mas isso não impediu os números de continuarem subindo. De acordo com o Instituto, as queimadas consumiram em agosto 29.944 km² da floresta, o equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol - quatro vezes mais que no mesmo período do ano passado.

A Amazônia está em grande parte em território nacional - são 4,19 milhões de km2 em nove estados brasileiros, dentro de um total de 5,5 milhões de km2. Assim, a maior responsabilidade pelo controle do seu ecossistema é do governo brasileiro. Contribuiu para questioná-lo a tentativa do presidente Bolsonaro de escamotear a realidade e diminuir a importância da defesa do controle ambiental.

Houve um aumento na Amazônia este ano tanto na área como no número de focos de incêndio. Em média, cada foco registrado queimou uma área de de 800 m². Em 2018, essa média foi de 580 m². Em agosto deste ano, foram 30.901 focos registrados pelo Inpe.

Agosto teve uma aceleração nas queimadas: 65% do fogo foi deflagrado somente nesse mês. No total, já foram atingidos 43 mil km2 de área amazônica.

Os números do Inpe mostram que há uma maior concentração dos focos de incêndio em dez municípios, que respondem por 37% das queimadas em 2019, assim como 43% do desmatamento registrado até o mês de julho. Altamira, no Pará, lidera a lista tanto de desmatamento quanto de queimadas, com 3.000 focos de fogo no ano.

Para a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Ane Alencar, o aumento no número de queimadas só pode ser explicado pela alta no desmatamento, porque não houve nenhum outro evento climático significativo.

"Neste ano não temos uma seca extrema, como em 2015 e 2016", disse. "Em 2017 e 2018, tivemos um período chuvoso suficiente. Em 2019, não temos eventos climáticos que afetam as secas, como o El Niño, ou eles não estão acontecendo [de maneira] forte. Não tem como o clima ser a explicação desse aumento [de queimadas]."