30 Mar 2020

A morte do rabino Henry Sobel

  Sex, 22-Nov-2019

O rabino Henry Sobel, de 75 anos, morreu na manhã da sexta-feira, 22, em Miami, nos Estados Unidos. Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista, foi defensor dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar.

Sobel morreu em decorrência de um câncer no pulmão. Norte-americano, filho de judeus ortodoxos, chegou ao Brasil na década de 1970, onde viveu por 43 anos até se mudar para os Estados Unidos, em 2013.

Na ditadura militar, atuou no esclarecimento da morte do jornalista Vladimir Herzog, não aceitando a versão oficial de que teria cometido suicídio na cadeia. Autorizou que o ex-diretor da TV Cultura fosse sepultado no Cemitério Israelita do Butantan fora da ala reservada a suicidas.

Celebrou com o cardeal Dom Evaristo Arns e o reverendo James Wright um ofício inter-reliogos, numa cerimônia com 8 mi presentes na Catedral da Sé, em São Paulo, no que se tornou um dos vértices do ecumenismo político e religioso que deu início ao fim da ditadura.

Sobel patrocinou também um bizarro episódio, flagrado em 2007 numa loja em São Paulo, roubando uma gravata. Sofria de depressão e alegou estar confuso, com a medicação, mas foi afastado da direção da Congregação Israelita Paulista. "Trinta e sete anos [no Brasil] e puf! Fiz o impensável", disse, num filme biográfico de 2104 dirigido por André Bushatsky.

Sobel escreveu ainda uma autobiografia, Um Homem, um Rabino", lançada em 2008 pela Ediouro, com prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nela, fala do desgosto com a repercussão do caso da gravata, mas também da solidariedade humana, que prestou ao longo da vida e, no fim dela, também recebeu.