18 Out 2021

São Paulo fará vacina contra o Covid-19

  Qui, 11-Jun-2020

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quinta-feira um acordo entre o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista, e o laboratório chinês Sinovac Biotech para a produção de uma vacina para a covid-19. O Brasil participará da terceira fase de testes, com nove mil voluntários brasileiros. Caso a vacina seja aprovada em todo o processo, poderá estar disponível para aplicação até junho de 2021.

Os 9 mil voluntários começarão a testr a vacina já em julho. 

"Comprovada a eficácia e a segurança da vacina, o Instituto Butantan terá o domínio da tecnologia, e a vacina poderá ser produzida em larga escala no Brasil pelo próprio Butantan para fornecimento ao SUS de forma gratuita até junho de 2021", disse Dória.

A vacina passou pelas fases 1 e 2 de testes, com a participação de mil mil voluntários na China. Segundo Dória, há hoje mais de 100 vacinas em desenvolvimento contra o coronavírus. Porém, somente 10 atingiram a fase final de testes em humanos.

"A vacina do Instituto Butantan é das mais avançadas contra o coronavírus", disse. "Com esta vacina, nós poderemos imunizar milhões de brasileiros. "É a esperança que nos dá força para lutar por um futuro melhor. Esta vacina é nossa esperança e nossa fé."

Dória já tem agora sua cloroquina política. iniciativa, ele tem. Resta saber se a aposta dará certo. 

A vacina da Sinovac, que já é aplicada na China, utiliza um vírus inativado, mais segura do que o uso de um agente vivo. Contudo, dessa forma, pode não ser tão eficaz.

O virologista Flávio Guimarães da Fonseca, do Centro de Tecnologia de Vacinas e pesquisador do Departamento de Microbiologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afirmou ao UOL que esse tipo de vacina precisa de outros medicamentos para agir, induzindo o "sistema de alarme" do corpo.

Quando uma célula de defesa reconhece o vírus, produz uma reação em cadeia, atraindo mais células do sistema imunológico. "Aí é montada uma resposta intensa, com produção de anticorpo e mais células de defesa", disse ele.

O laboratório chinês utiliza uma formulação de alumínio para acelerar a reação do organismo. A ciência ainda não explica os mecanismos pelos quais o alumínio atua, mas empiricamente seu resultado é eficaz, como comprovam vacinas utilizadas com esse recurso desde os anos 1930.

Mesmo com o uso de um vírus inativado, o controle de qualidade tem de ser grande, segundo o virologista. A Sinovac já passou pelos testes da fase 1, em macacos, dentro de laboratório, e da fase 2, os primeiros realizados em pessoas.

A fase que será realizada em São Paulo é a primeira tentativa de vacinação efetiva para observação da população vacinada. As pessoas são escolhidas randomicamente, tomam a vacina e vão para casa. São expostas ao coronavírus no ambiente e acompanhados por um tempo, que normalmente leva de três a cinco anos.