16 Nov 2019
Sábado, 15 Junho 2019 16:51

Morreu aos 96 anos o cineasta Franco Zerirelli, um dos maiores cineastas de todo os tempos, que assim passa ao panteão do cinema italiano ao lado de Federico Fellini e Michelangelo Antonioni.

Zefirelli fazia cinema, teatro e ópera. 

Alguns de seus filmes, além de obras de arte, foram sucesso de bilheteria, como A Megera Domada (1967) com Richard Burton e Elizabeth Taylor.

Nascido como filho ilegítimo de uma designer de moda e de um comerciante de tecidos, sua mãe morreu quando tinha seis anos. Afirmava ter sido abusado por um padre quando criança.

Amante de Shakespeare, estudou arte e arquitetura em Florença. Foi assistente de grandes diretores italainos como Antonioni, De Sica, Rossellini e Luchino Visconti, com quem trabalhou em filmes como A Terra Treme (1948) e "Belíssima" (1951).

Zefirelli foi assistente de direção de Visconti em três de seus grandes filmes: "A Terra Treme" (1948), "Belíssima" (1951) e "Sedução da Carne" (1954). Foi uma influência marcante pra ele.

"Luchino revelou-me o campo da criação, no palco e na tela", disse. "E ele me mostrou como conceber um projeto e dar-lhe uma estrutura para o ambiente cultural correspondente."

A partir dos anos 1950 encenou espetáculos como L'Italiana in Algeri de Rossini, e La Bohème, de Puccini.

Em 1968, fez Romeu e Julieta, indicado ao Oscar de melhor diretor e melhor filme. Usava dois adolescentes, não atores (Olívia Hussey e Leonard Whiting) no lugr dos amantes criados por Shakespeare. Acabou com os prêmios de melhor fotografia e figurino.

Fez ainda Irmão Sol, Irmã Lua (1972), Jesus de Nazaré (1977) e O Campeão (1979), com John Voight. Voltou à ópera, área em que se tornou conhecido pelas superproduções: La Traviata (1982), pela qual foi indicado ao Oscar de melhor direção de arte e melhor figurino, e Otello (1986), ambas com o tenor Plácido Domingo.

fez ainda sua versão de Hamlet para o cinema, em 1990, com Mel Gibson e Glenn Close. Conservador, fez campanha contra "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorsese, e se opunha a projetos como o reconhecimento dos casais homossexuais. Apoio o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi nos anos 1990. Em março, deu uma entrevista na qual dizia ainda querer trabalhar, mesmo perto dos 100 anos.

"Ainda estou procurando ideias a realizar", disse. "Isso me mantém ocupado".