19 Set 2019

Presos são mortos durante transferência

  Qua, 31-Jul-2019

Durante a transferência para Belém, mais quatro presos de Altamira foram mortos dentro de um caminhão de transporte, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup). Assim, sobre para 62 o numero de mortos no conflito entre facções.

Algemados, os detentos estavam dentro de um caminhão, dividido em quatro celas, na noite de terça-feira, dia 30. Entre os municípios de Novo Repartimento e Marabá, cometeram entre eles outros quatro assassinatos por sufocamento.

Segundo a Secretaria, os mortos "eram da mesma facção e viviam juntos na mesma cela". Os 26 presos restantes serão colocados em isolamento.

O caminhão tem capacidade para levar até 40 presos. Depois do massacre de segunda-feira, o governo estadual decidiu que os 16 líderes de facções em Altamira fossem transferidos para presídios federais. Outros 46 presos foram transferidos para outras prisões no estado, 10 deles fora do Pará.

"O objetivo é tirar do mesmo ambiente as facções rivais", disse o titular da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Ualame Machado. "Já foram identificados, presos em flagrante e serão responsabilizados alguns dos envolvidos nas mortes. O policiamento na região de Altamira será reforçado, e nas casas penais de Belém faremos uma redistribuição dos internos como medida de segurança."

A guerra interna em Altamira foi disparada, segundo o governo, por uma tentativa do Comando Classe A (CCA), facção local, de impedir o avanço do Comando Vermelho (CV), que vem se espalhando a partir do Rio de Janeiro.

O Primeiro Comando da Capital, nascido em São Paulo, também disputa poder nas penitenciárias paraenses, assim como a FDN, Família do Norte. O caldeirão do crime se acirrou com a construção da usina de Belo Monte, que atraiu um grande contingente de pessoas, provocando um crescimento desordenado e a favelização de Altamira. Hoje com mais de 100 mil habitantes, ela é considerada uma das cidades mais violentas do Brasil.

Cm o fim das obras em belo Monte, em 205, o desemprego teria empurrado jovens para o crime. "Pessoas que estavam trabalhando no empreendimento, que migraram para o tráfico de drogas como única forma de renda", afirmou ao UOL o professor de Direito de Humanos do campus Altamira da Universidade Federal do Pará, Assis Oliveira.