14 Nov 2019

Entra a segunda temporada de O Mecanismo

  Sex, 10-Mai-2019
O Mecanismo: nomes trocados, situações que conferem O Mecanismo: nomes trocados, situações que conferem

A partir desta sexta-feira, a Netflix exibe a segunda temporada da série O Mecanismo, do diretor José Padilha, inspirada na Operação Lava Jato.

Controvertida e com liberdades ficcionais, a série procura mostrar que a corrupção se espalha por toda a sociedade - e teve grande repercussão na primeira temporada.

Padilha, exilado em Los Angeles depois da série Tropa de Elite, quando passou a ser ameaçado pelas milícias no Rio de Janeiro, volta ao cinema político com um olho na realidade brasileira.

Na ficção, os protagonistas são a delegada Verena Cardoni (Caroline Abras) e o delegado aposentado Marco Ruffo (Selton Mello). O final é previsível. A história culmina no impeachment da presidente Janete Ruscov (Sura Berditchevsky).

A abertura é um clipe ao som do samba "Reunião de Bacanas": "Se gritar 'pega ladrão', não fica um meu irmão". A primeira metade da nova temporada, porém, foca o trabalho da Lava Jato em Curitiba, quando os investigadores apertam o cerco a Ricardo Bretch (Emílio Orciollo Netto).

A ação depois vai para Brasília e aparecem Lucio Lemos/Aécio Neves) e Samuel Thames/Michel Temer. João Higino/Lula e Janete/Dilma.

A série tem frases reais na boca de personagens fictícios e frases fictícias na boca de personagens reais. Desse caldeirão, Padilha extrai o principal, que é mostrar o apodrecimento político e social de um país que não soube defender o que tinha de melhor - a definição pela democracia e a justiça social -, optando pela cobiça, a ambição de poder e, por que não dizer, o crime.

Padilha, que além de "Tropa de Elite" já produziu a série "Narcos", no Netflix, vai assim se especializando na dura realidade latino americana, onde há um congraçamento da política com o crime, e o subterrâneo vai emergindo à luz do dia com cara de naturalidade.

O espectador pode não concordar com tudo o que ele transmite, mas uma coisa certa: que há algo de podre no reino na Dinamarca, não resta qualquer dúvida.