18 Mar 2019

O pesar e a vergonha no enterro das vítimas em Suzano

  Qui, 14-Mar-2019

O enterro das vítimas e dos atiradores do massacre e escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, foi um momento de emoção, vergonha e pesar.

N quinta-feira, o cemitério de São Sebastião ficou lotado com parentes, representantes de empresas, escolas e sindicatos da região, além da imprensa.

Funcionários montaram um corredor com coroas de flores em uma das vias do cemitério. A primeira vítima a ser sepultada foi Samuel Melquíades Silva Oliveira, 16, às 16h30.

Seus colegas do Clube Desbravadores, grupo de escotismo formado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, cantaram o seu hino. A bandeira dos Desbravadores cobriu o caixão, e os amigos agitaram lenços amarelos.

Na sequência, foram enterrados também Kaio Lucas da Costa Limeira e Caio Oliveira, ambos de 15 anos; Claiton Antonio Ribeiro, 17; além da inspetora Eliana Xavier, 38.
Outras seis vítimas foram veladas juntas no ginásio. O corpo de Marilena Umezo, 59, coordenadora pedagógica da escola, foi velado na Igreja Matriz São Sebastião. O sepultamento deve acontecer nesta sexta-feira.

O enterro de um dos atiradores, Luiz Henrique de Castro, 25 anos, ocorreu com portões fechados e sem acesso à imprensa, também no Cemitério Municipal São Sebastião.

Cerca de 25 pessoas compareceram, entre elas o pai de Luiz Henrique, o jardineiro Miguel Castro, 69 anos, que estava abalado. A mãe, sob sedativos, não foi.

“Quero pedir perdão às famílias", disse o tio de Luiz Henrique, Américo José Castro, 58. "Nós somos tão vítimas quanto [eles].” Afirmou que seu sobrinho "era um menino normal e trabalhador”.

O enterro de Guilherme, o outro atirador, que atirou em Luiz Henrique e depois se matou, foi no Cemitério Municipal São João Batista, também com portas fechadas.

Segundo funcionários, a família não quis velar o corpo. Preferiu enterrá-lo logo após a liberação pelo IML de Mogi das Cruzes. O cemitário afastado foi escolhido para evitar protestos.