18 Out 2021

Procurador aponta "assassinato maciço" de venezuelanos na Colômbia

  Qua, 13-Out-2021

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, denunciou na terça-feira (12) o "assassinato maciço" de refugiados venezuelanos na Colômbia

A situação atraiu a atenção mundial depois da execução de dois jovens, um com 12 e outro de 18 anos, na fronteira entre os dois países.

"Este não é um fato isolado, não é um fato excepcional: pelo menos 1.933 migrantes venezuelanos foram assassinados, e outros 836 foram dados como desaparecidos" entre 2015 e 2020, disse Saab, pela TV oficial.

Com base em relatórios da ONG Consultoria para os Direitos Humanos e Deslocamento (CODHES)ele apontou ainda que "entre janeiro e agosto do ano de 2021, foram assassinados na Colômbia 362 venezuelanos". Acredita que esse número pode chegar a 3 mil, o que configuraria um "assassinato maciço de venezuelanos na Colômbia".

Os menores foram mortos depois de serem acusados de roubar um armazém no município de Tibú. Apareceram em imagens que circularam na internet com as mãos amarradas, enquanto são chamados de "ladrõezinhos". O adolescente foi identificado pelas autoridades venezuelanas como Alexander José Fernández Rodríguez.

"Achamos que tão responsáveis quanto são os autores materiais quanto o sujeito que grava o vídeo, pois não só faz apologia ao crime, mas entrega crianças para a morte", disse Saab.

A polícia colombiana responsabiliza pelos crimes os dissidentes da ex-guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que quebraram o acordo de paz assinado em 2016.

Tibú é uma imensa plantação para a indústria de narcóticos. com mais de 19.000 hectares de folha de coca, segundo a ONU. Ali, a lei é informal. Os venezuelanos que entram no país em desespero encontram, dessa forma, algo ainda pior. Segundo a ONU, mais de cinco milhões de venezuelanos deixaram seu país fugindo do regime e da destroçada economia colombiana. A maior parte dessa gente vai para a Colômbia, que já recebeu 1,7 milhão de refugiados.