16 Nov 2019

O suicídio de Alan García, ao ser preso na Lava Jato peruana

  Qua, 17-Abr-2019

O ex-presidenge do Peru, Alan García, se matou nesta quarta-feira, antes de ser preso pela Lava Jato peruana, que investiga relações de seu governo com a empreiteira brasileira Odebrecht.

Do segundo andar da sua casa em San Antonio, distrito de Miraflores, em Lima, García Pérez ouviu às 6h30 da manhã a polícia bater à porta com uma ordem judicial de busca, apreensão e detenção preventiva por dez dias.

Seis policiais da Divisão de Investigações de Alta foram recebidos pelos empregados de García. O ex-presidente apareceu nas escadas, escutou a notificação e segundo as testemunhas voltou ao segundo andar, dizendo que telefonaria ao seu advogado.

Entrou no quarto, trancou a porta atrás e matou-se com um tiro.

Os policiais entraram no quarto pela varanda. Encontraram García sentado, ainda vivo, com a marca de tiro na cabeça.

Levado à emergênciado Hospital Casimiro Ulloa, morreu com a hemorragia cerebral. Com esse gesto dramático, encerrou o inquéirito e encerrou com um capítulo de horrora sua já manchada biografia.

Simpatizantes, amigos e políticos foram ao hospital para expressar indignação e tristeza. "García tomou uma decisão de dignidade e honra, um ato de honra em face de uma perseguição fascista", disse o deputado do seu partido, o Apra, Mauricio Mulder.

García tinha em casa três pistolas e um revólver.

Cinco ex-presidentes do Peru foram acusados de corrupção. Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos e corrupção. Alejandro Toledo está nos EUA, foragido da Justiça peruana. Foi acusado de receber suborno de US$ 20 milhões em propina da Odebrecht, entre 2006 e 2008.

García, que governou de 1985-1990 e de 2006-2011, foi investigado pelo Congresso peruano por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, também em envolvimento com a Odebrecht. Ollanta Humala (2011-2016, também é suspeito de envolvimento com a Odebrecht. Recebeu recebeu ordem de prisão preventiva de 18 meses ao ser acusado, com a mulher, de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Ppr fim, Pedro Pablo Kuczynski renunciou em 2018, com menos de dois anos de mandato, sob pressão dos partidários de Fujimori no Congresso. Acusado de receber uma fortuna em propina da Odebrecht por consultorias, ficou à beira do impeachment. As investigações seguiram após da renúncia.