18 Out 2021

Morte por coronavirus na Espanha: países onde a pandemia começou antes receiam a "segunda onda"

  Ter, 19-Mai-2020

Países onde a pandemia começou antes, especialmente a China e os países europeus, começaram a retomar as atividades econômicas, após a fase de isolamento - mas receiam a "segunda onda".

O problema é a falta de testes, que torna incerto o número de pessoas que não foram infectadas e estariam, dessa forma, ainda sujeitas ao vírus.

Com isso, não está descartada a possibilidade de novas ondas de infestação do Covid-19 - nem de novos lockdowns.

Na Espanha, um estudo nacional sugere que novas ondas de contágio devem ser inevitáveis. O Instituto de Saúde Carlos 3º, ligado ao governo espanhol, fez testes sorológicos rápidos em 60.983 pessoas de todo o país para estimar a proporção da população já contaminada.

A conclusão foi de que somente 5% dos espanhóis, 2,35 milhões de pessoas, tiveram contato com o coronavírus.

Isso significa que ainda há um grande campo para novas contaminações. Na China, após o fim do isolamento, já foram registrados 17 novos casos de contaminação, segundo informou o governo chinês no dia 11 de maio.

Onze casos foram em Wurhan, onde a pandemia começou. Sete teriam sido importados de outras cidades e cinco ocorreram em Wurhan mesmo.

Wuhan já era considerada uma zona de risco “pequeno” desde o fim da quarentena, em 8 de abril, e recomeçava progressivamente as atividades.

Os estudantes do último ano do Ensino Médio retornaram as aulas de máscara, respeitando as medidas restritivas de saúde, após quatro meses de paralisação escolar. Com o surgimento de novos casos, porém, o nível epidemiológico foi elevado novamente. 

Efeito rebanho

Ainda que a epidemia tenha se alastrado, o espectro das contaminações não foi suficiente ainda para a chamada "imunidade de grupo", ou "efeito rebanho", capaz de impedir naturalmente novas ondas de contágio. Ao contrário, o método do isolamento manteve separada uma população ainda não contaminada, sujeita a adoecer no relaxamento das medidas de isolamento.

Para que o "feito rebanho" seja considerado eficaz, os especialistas acreditam que é preciso ter de 60% a 70% da população com anticorpos contra vírus ou bactéria. Nesse caso, mesmo quem não tem os anticorpos é beneficiado indiretamente, já que a doença não se propaga entre as pessoas imunizadas ao redor.

"Ainda tem muita gente suscetível a pegar o vírus", afirmou ao UOL a médica sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do serviço de epidemiologia do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo. "A partir do momento em que a vida voltar ao normal, a chance de novas epidemias é grande."

A pesquisa espanhola indica que mesmo nas cidades onde houve o maior número de casos, a maior parte da população não foi contaminada. "Mesmo nas regiões mais atingidas, ainda há muito poucas pessoas com anticorpos", afirma Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. "A imunização natural não está ocorrendo como deveria para conseguirmos debelar a pandemia."

Os médicos imaginam que o controle será feito com base num sistema de idas e vindas, no qual os países terão de liberalizar as atividades e, quando os índices de contaminação trouxeram sobrecarga aos hospitais, reinstalar o isolamento, de forma cíclica.

"Assim que a gente parar com o isolamento, porque os casos estarão diminuindo, vamos ter um índice de infectados não muito diferente da taxa da Espanha e, mais dias ou menos dias, teremos outro surto", afirma o imunologista Renato Astray, do Instituto Butantan. "E nós, assim como eles, vamos ter de tomar medidas isolamento mais vezes, não vai parar por aqui."