28 Nov 2021

Michel Platini é preso em Paris por corrupção na escolha da Copa do Qatar

  Ter, 18-Jun-2019

Para os amantes do futebol, cai mais um ídolo. Michel Platini, um dos maiores jogadores da história da França e do mundo, não se deu também como dirigente esportivo. Suspeito de corrupção, foi preso nesta terça-feira em Paris por supostamente favorecer indevidamente a escolha do Qatar como sede da próxima Copa do Mundo, em 2022, quando era ainda o presidente da UEFA, a federação europeia de futebol.

A suspeita de que dirigentes receberam bola em 2010 para apontar o Qatar recaiu também sobre a cartolagem brasileira. Inclui Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, que também é investigado na Suíça, onde fica a sede da FIFA.

O ex-secretário-geral do presidente Nicolas Sarkozy, Claude Guéant, também prestou depoimento, mas não foi detido. A investigação também mira Sophie Dion, ex-conselheira do governo e ex-deputada, ex-presidente do grupo parlamentar França-Qatar.

O Ministério Público da França investiga o dinheiro pagos aos cartolas e políticos em favor Qatar. O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou em entrevista ao UOL que a decisão foi tomada em Paris, num jantar entre o emir do Qatar, Tamim Ben Hamad Al Thani, Sarkozy e o próprio Platini.

O encontro teria ocorrido no dia 23 de novembro de 2010, no Palácio do Eliseu. Sarkozy teria instruído Platini a votar pelo Qatar, decisão que traria benefícios econômicos ao país. Emissoras da Qatar comprariam os direitos do campeonato francês. Oito meses depois, o emir comprou o PSG, principal time francês, por cerca de 100 milhões de dólares. O negócio teria envolvido ainda pagamentos a um aliado de Sarkozy, Sebastian Bazin, que controlava o clube.

A polícia francesa investiga ainda o pagamento da emissora Al-Jazeera à Federação Francesa de Futebol. E contratos pelos quais emrpesas francesas farão a segurança da Copa. Outros acordos ainda foram anunciados: a Qatar Airways escolheu a Airbus para fornecer 50 novos aviões, fabricados na França, e o filho de Platini ganhou um emprego no Qatar.

Em 2016, começou na França a investigação por corrupção e tráfico de influência, em colaboração com a Justiça dos EUA e da Suíça. Em 2017, Blatter foi interrogado. E Platino, que, por anos, se opôs publicamente à Copa no Qatar, acaba sendo o primeiro a ser preso, depois de surpreendentemente mudar de posição - seu voto, levando todo os da Uefa, é o que garantiu a vitória do país do golfo, em detrimento do outro princial concorrentes, os Estados Unidos.

Platini tem afirmado que mudou de opinião antes do jantar e apenas comunicou sua decisão ao presidente francês. disse ainda não estar sabendo que o emir estaria presente.

Ouvido pela primeira vez em 2017 pela Justiça, ele afirmava estar querendo voltar ao futebol, depois de ser suspenso por irregularidades em pagamentos recebidos da Fifa. O gancho acaba em outubro. Pretendente ao trono da FIFA, ele terá porém que se livrar do passado, antes de pensar novamente no futuro.