24 Ago 2019

A última do Trump

  Qui, 07-Dez-2017
Trump no Muro das lamentações: o Big Stick vai batendo no vazio Trump no Muro das lamentações: o Big Stick vai batendo no vazio

Donald Trump diz que os Estados Unidos vão mudar para Jerusalém sua embaixada em Israel.  Mas, no caso de Trumpo, não se pode levar muita coisa a sério.

Com a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, Trump - que já chegou a ser fotografado de quipá no Muro das Lamentações - dá seu sinal de que considera Jerusalém a capital de Israel, contra todos os esforços de conciliação com as nações muçulmanas e palestina, que têm a cidade como  centro de culto.

"Jerusalém não é somente o coração de três grandes religiões, mas é também o coração de uma das mais bem sucedidas democracias do mundo", justificou o presidente americano. "Israel é uma nação soberana e tem o direito, como qualquer outra nação soberana, de determinar sua própria capital."

Embora tenha dito que isso não signifique que "vamos assumir uma posição definitiva sobre as fronteiras específicas de Isreal em jerusalém ou as disputas de fronteira", Trump mexeu uma peça desnecessária e perigosa no complexo xadrez do Oriente Médio,.

"Flagrante provocação"

Com isso, ele disparou incontinenti uma chuva de reações contrárias, no que é o ponto nevrálgico de uma disputa milenar, acomodada nos últimos anos por um esforço diplomático que ele, como em outras situações, joga fora numa penada. Isso incluiu até mesmo seus aliados.

"Flagrante provocação aos muçulmanos de todo o mundo", declarou em nora o corpo diplomático da Arábia Saudita, um dos mais sólidos parceiros dos Estados Unidos no Oriente Médio. Para o presidente do Egito, Recep Tayyip Erdogan, teria sido melhor Trump "não complicar a situação na região". O reii da Jordãnia, Abdullah Segundo, disse que o esforço de paz será "prejudicado".

Trump já previa a movimentação no vespeiro, que parece ser a sua maior especialidade. "Após 20 aos de acenos, não estamos mais perto de um acordo final entre israelenses e palestinos", rebateu Trump. "Seria tolo imaginar que repetir as mesmas fórmulas produziria um resultado diferente, ou melhor."

Caricatura

Desde sua campanha eleitoral, Trump manifestava a vontade de restabelecer a linha dura na política internacional americana, nos moldes do velho "Big Stick" dos tempos do criador da expressão, Theodore Roosevelt.

A situação só não é pior porque, diferente do caso de Roosevelt, as ameaças de Trump acabam não sendo levadas a cabo - e têm acabado mais como meras bravatas que como atos com as consequências esperadas. 

Algumas delas envolvem suas promessas de campanha, como a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México para acabar com a imigração ilegal, medida que não saiu do papel, sem orçamento aprovado pelo Congresso.

Outra paulada política de Trump dada no vazio foi sua outra promessa de devolver ao país de origem todos os imigrantes ilegais nos Estados Unidos, onde estes realizam a maior parte dos serviços menos bem remunerados.

Os números têm demonstrado que, apesar da convicção de Trump, em seu primeiro ano gestão foram deportados apenas cerca de 15 mil imigrantes ilegais - cerca de metade do que no governo de Barack Obama, supostamente brando.

As ameaças de Trump de varrer do mapa a Coreia do Norte por conta da produção de mísseis nucleares parece também não passar de um jogo para ver quem grita mais alto. Dessa forma, o presidente americano vai ficando também como a versão americana de Kim Jong-un.