19 Set 2019

G7 oferece dinheiro que Bolsonaro quer recusar

  Seg, 26-Ago-2019
Líderes no G-7: aviões de água Líderes no G-7: aviões de água

Depois de alguns países como Alemanha e Noruega anunciarem a suspensão de recursos para o Fundo Amazônia em retaliação a declarações do presidente Jair Bolsonaro, os líderes das sete grandes potencias, reunidos em Biarritz, na França, decidiram liberar 20 milhões de dólares para ajudar a combater os incêndios na floresta. Comuns nesta época do ano, eles se tornaram uma questão internacional - e mais uma zona de atrito criada por Bolsonaro, que afirmou desconfiar dos interesses por trás de tal ajuda, dentro de seu discurso de jogar o Brasil contra o mundo, usando a soberanianacional sobre a Amazônia brasileira como mais um perigo para justificar um regime autoritário.

"[O presidente francês Emmanuel] Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia", disse a jornalistas nesta segunda-feira, na porta do Palácio da Alvorada. "Será que alguém ajuda alguém - a não ser uma pessoa pobre, - sem retorno? Quem é que está de olho na Amazônia? O que eles querem lá?"

Bolsonaro recursou-se a responder perguntas - argumentou que a imprensa só publica mentiras e nunca o que ele quer. Em outros lugares, isso se chama imprensa livre, mas Bolsonaro só gosta da reprodução do seu discurso.

O presidente disse que só aceitaria o dinheiro com um pedido de desculpas de Macron. Depois, com a rpercussão negativa de mais essa iniciativa, retirou a exigência. Apagou também seu comentário no meme de um internauta, que comparava as mulherss dos dois presidentes, sugerindo que Macron tinha inveja de Bolsonaro por ter mulher feia. Com isso, o presidente jogou contra si nova onda de fúria, levando ao topo da lista de trend topcis do Twitter a hashtag #desculpaBrigitte. Brigritte é a mulher de Macron.

Contra o fogo

Pela manhã da sexta-feira, o G7 informou que os recursos serão utilizados para enviar aviões Canadair de combate a incêndios. E a assistência ao reflorestamento, dentro de um plano a ser apresentado à Assembleia Geral da ONU, no final de setembro.

Para receber tal ajuda, o Brasil teria que concordar em trabalhar com ONGs, que Bolsonaro combate, além da população local.

O assunto das queimadas - e Bolsonaro - dominou as conversas do G7, direcionadas à questão ambiental. Foi um bom pretexto para tirar Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido de suas próprias problemáticas ambientais domésticas.

O problema é que, com seu discurso, Bolsonaro acabou transformando a si mesmo e a Amazônia como alvo preferencial do protesto mundial.

Levantou um bate boca com Macron, que declarou ser "triste" o Brasil ter um presidente como ele. Bolsonaro chegou a curtir um meme de um internauta, comparando as mulheres dos dois presidentes - e sugerindo que Macron teria inveja de Bolsonaro por ter mulher feia.

No terreno do comportamento impróprio, Bolsonaro parece não estar preocupado com nada, mas o acúmulo de diatribes tem colabrado, junto com a falta de resultados, a aumentar sua rejeição. 

Seu governo do presidente é avaliado como ruim ou péssimo por 39,5% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo instituto MDA, por encomenda da Confederação Nacional do Transporte. Em janeiro, na posse, o índice era de 19%.

A reprovação ao desempenho pessoal de Bolsonaro subiu também - era de 28,2% em fevereiro e passou a 53,7% em agosto. A taxa de aprovação caiu de 57,5% para 41%.

São 29,4% os que consideram o governo ótimo ou bom e 29,1%, regular. Com isso, Bolsonaro vai se aproximando de ter novamente os 17% de apoio popular que serviu como base de sua eleição no primeiro turno, sinal de que vai se afastando do espectro maior do eleitorado com a radicalização do discurso e das políticas de governo.

A ideia de fazer o filho Eduardo virar embaixador do Brasil nos Estados Unidos também pegou mal. Segundo a pesquisa, 72,7% dos entrevistados consideram a indicação inadequada. Outros 21,8% são a favor e 5,5% não emitiram opinião.