17 Out 2019

Depois de tudo, Brasil fica de fora da OCDE

  Qui, 10-Out-2019
Bolsonaro com Trump: ingenuidade Bolsonaro com Trump: ingenuidade

Depois de muito rasgar seda para os Estados Unidos e o presidente americano, Doland Trump, Jair Bolsonaro acabou frustrado. Descobriu que é o interesse econômico, e não a bajulação, que decide as coisas no comércio bilateral.

Em uma carta à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, negou apoio à candidatura brasileira para ingressar na entidade, como desejava o presidente brasileiro. Em vez disso, avalizou as candidaturas de Romênia e Argentina. 

Oficialmente, a candidatura do Brasil ainda é apoiada pelo governo americano. Porém, não há um plano para isso. A Casa Branca não quer que a OCDE vá longe demais. Porém, permitiu a entrada de dois países menores, com o argumento de que teriam feito o pedido primeiro.

Além do discurso, Bolsonaro empenhou outras coisas para obter a boa vontade de Trump, da liberação de turistas americanos no país à permissão para o uso da base de Alcântara, no Maranhão.

O presidente brasileiro deixou-se levar pela conversa de Trump. Gabou-se de ter recebido um bilhete do presidente americano, escrito do próprio punho, como sinal de amizade. Acredita que ter seu filho Eduardo na embaixada brasileira em Washington facilitaria ainda mais o diálogo. Apenas paralisou a diplomacia brasileira em Washington.

Se serve para algo, o episódio mostra que as coisas não são simples com pensou Bolsonaro. Para entrar na OCDE, o Brasil abriu mão do benefício de ser tratado como país em desenvolvimento em futuros acordos, pela OMC. Sem também entrar na OCDE, ficamos no meio do caminho. O Brasil perdeu as vantagens de onde estava, sem ganhar as de onde o presidente queria que ficássemos.

É o pior dos mundos, ao qual se chega pela pretensão - o autoengano dos ingênuos.