18 Out 2021

Depois de ferrolho sanitário, italianos começam a voltar ao trabalho

  Qua, 22-Abr-2020
Conte: volta controlada Conte: volta controlada

Depois do drama da explosão do coronavírus, e do ferrolho sanitário que forçou o país inteiro a ficar dentro de casa, a Itália já tem uma agenda para a volta ao trabalho. No dia 27 de abril, poderão ser reabertos negócios que respeitarem normas de segurança firmado entre o governo e os sindicatos em 14 de março. Há hoje 4 milhões de italianos já trabalhando, com o uso de máscaras. Outros 2,8 milhões de italianos devem voltar ao trabalho a partir de 4 de maio, quando serão divulgadas novas normas para o funcionamento de um novo regime de trabalho. "Quem já tiver tudo pronto, poderá voltar já em 27 de abril", diz o documento preparado pelo comissário encarregado do combate ao Covid-10 no país, Domenico Arcuri.

É um calendário progressivo, que leva em conta os trabalhadores que permanecem em atividade nos serviços essenciais, como alimentação e saúde.  "Gostaria de poder dizer: reabriremos tudo. Imediatamente. Mas seria irresponsável", afirmou o premier italiano, Giuseppe Conte, ao apontar para 4 de maio como a data escolhida."Sair da curva de contágio de modo descontrolado seria fazer desaparecer todo o esforço que fizemos até aqui. Todos juntos."

Na realidade, o número de pessoas que voltam ao trabalho a partir de maio é maior do que a estimada pelo governo, se considerados os que continuam ativos em home office, onde devem permanecer a população com mais de 65 anos ou pertencentes ao grupo de risco por outras condições de saúde. 

Hoje, já estão ativos profissionais dos setores de manufatura e construção, obrigados ao uso de proteção contra o coronavírus, como máscaras e luvas, pelo acordo com os sindicatos. Na Itália, hoje são distribuídas 4 milhões de máscaras por dia. O governo quer elevar esse núemro a 7 milhões. 

"Hoje o governo faz uma avaliação compreensiva para decidir se a reabertura gradual das atividades a partir de 4 de maio, explicando que se trata de uma validação colegiada sobre a base das questões sanitárias e do número de italianos que desejam voltar ao trabalho", afirmou a ministra dos Transportes e InfraEstrrutura, Paola de Micheli à Radio capital.

Uma das dúvidas médicas que ainda pairam sobre o coronavírus é se as pessoas que já contraíram a doença se tornam imunes contra uma nova contaminação. Por essa razão, o governo italiano decidiu que os ex-contaminados serão considerados "open source", sem conservar dados anteriores.

Isto é, todos entram na conta de possíveis contaminações, razão pela qual os cuidados preventivos partirão do princípio de que todos podem ficar doentes outra vez, sem os devidos cuidados.

Depois da alarmante explosão de mortes, que superlotou os hospitais italianos, o país adotou um regime forçado de isolamento. Prefeitos foram às ruas pessoalmente mandando pessoas embora para casa. A polícia tratou de garantir que as ruas ficassem vazias, com ameaça de multas a quem descumprisse o toque de recolher.

Nesta segunda-feira, foram registrados 454 mortes por coronavírus. O número de novos casos de 3.047 no domingo para 2.256, nível mais baixo em um mês.

A estabilização da curva de mortes e casos, em um patamar mais baixo comparado aos picos registrados no fim de março, mostrou que a retração da doença não é tão rápida mesmo num país com isolamento tão restrito por seis semanas consecutivas.

Na Itália, desde o início do surto, em 21 de fevereiro, morreram 24.114 italianos, segundo maior número de vitimas do mundo, depois dos Estados Unidos. Mais de 2.500 pessoas seguem em terapia intensiva e 48.877 pessoas foram consideradas curadas.