19 Set 2019

Bolsonaro bloqueia pressão de países poluidores

  Sex, 28-Jun-2019
Bolsonaro com Macron: direito ao desenvolvimento Bolsonaro com Macron: direito ao desenvolvimento

Seguindo a agenda que incluiu encontros com Donald Trump, dos Estados Unidos, Angela Merckel, da Alemanha, e Emmanuel Macron, da França, o presidente Jair Bolsonaro marcou a posição brasileira de reagir à pressão ambiental. São os países desenvolvidos os maiores poluidores do planeta, mas jogam sobre o Brasil a responsabilidade de cuidar da preservação em seu lugar, em detrimento do crescimento econômico. "Não vim aqui para ser advertido", disse Bolsonaro logo na chegada, logo após Merkel afirmar que queria ter com ele uma "conversa clara".

Bolsonaro indicou, nesses encontros e publicamente, que o Brasil não aceita esse tipo de subordinação. Tem tanto direito ao desenvolvimento quanto os países desenvolvidos têm obrigação de fazerem um esforço maior e próprio de preservação ambiental. 

Com Macron, Bolsonaro teve um encontro informal, no qual o presidente brasileiro convidou o francês para conhecer pessoalmente a Amazônia. Macron era outro dos críticos de Bolsonaro, por seus sinais de que tiraria o Brasil do Acordo do Clima de Paris. Porém, Bolsonaro afirmou que o Brasil continuará no Acordo, comom parte das negociaçlões para o acordo também de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul anunciado nesta sexta-feira, que vinha sendo discutido em paralelo por negociadores reunidos em Bruxelas, na Bélgica.

"Continuamos comprometidos com a plena implementação do Acordo de Paris, adotado sob os princípios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a mudança climática, inclusive os princípios das responsabilidades comuns porém diferenciadas e respectivas capacidades, à luz de diferentes circunstâncias nacionais", afirmou Bolsonaro, em nota oficial.

Assinado em dezembro de 2015, o Acordo de Paris criou metas para os países controlarem o aquecimento global. Prevê a redução da emissão de gases que aumentam a temperatura do planeta e um investimento de 100 bilhões ao ano dos países ricos.

Na campanha eleitoral, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do Acordo. Em dezembro, já eleito, e no Fórum de Davos, afirmou que o país não iria sair se o acordo fosse alterado.

Com Trump, a conversa foi mais amena e recheada da troca habitual de afagos. Bolsonaro discutiu a situação da Venezuela e a guerra comercial com a China, além da entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

"Espero que ele nos visite antes das eleições [americanos, em 2020]", disse Bolsonaro de Trump. "Será motivo de orgulho e satisfação e [a visita] vai mostrar para o mundo que a política do Brasil mudou de verdade."

"É um tremendo país, com uma população tremenda, então estou entusiasmado para ir [ao Brasil]", respondeu Trump.

O governo americano divulgou uma nota segundo a qual privadamente os dois líderes conversaram sobre o apoio à população da Venezuela "num momento em que venezuelanos reclamam por democracia e liberdade".

Na política externa, Bolsonaro tem sido Bolsonaro - e aí tem funcionado bem.

Os dois líderes terão encontros bilaterais com o presidente chinês, Xi Jinping, este sábado.