24 Ago 2019

Atirador mata 17 em escola americana. Até quando?

  Qui, 15-Fev-2018
Nikolas Cruz: paixão por armas num país pouco disposto a mudar Nikolas Cruz: paixão por armas num país pouco disposto a mudar

Um atirador entrou na quarta-feira de cinzas na escola pública Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Florida, e fez 17 mortos entre os estudantes. Nikolas Cruz, de 19 anos, foi preso. Porém, em mais um caso de um gênero que parece virar rotina, fica a pergunta: o que fazer para evitar que isso se repita?

Parkland tem 30 mil habitantes - uma cidade sem a pressão das grandes metrópoles, próxima de Fort Lauderdale e da praia de Holywood, ao norte de Miami Beach. Era um dia normal de aula, até que Nikolas, segundo a escola um ex-aluno, expulso por motivos disciplinares, entrou armado  à 14:30 com um rifle AR-15.

Os alunos dispararam sms e mensagens com fotos de colegas ensanguentados para outras salas, num pandemônio que mesclava a tragédia com a realidade virtual além dos limites da escola. "Mãe, tem alguém na escola atirando", escreveu a estudante  brasileira Kemily dos Santos Duchini, de 16 anos, avatar Kemily Love, em mensagem de WhatsApp para a mãe.

Todos os alunos então trancaram as portas das salas de aula - um protocolo da escola, que portanto já previa a possibilidade de que algo desse tipo pudesse acontecer. Para entrar nas salas, a própria polícia teve que quebrar as janelas e pedir aos estudantes que colocassem as mãos na cabeça.

País violento

A escila não informou qual o motivo da expulsão do estudante. Mas não era difícil imaginar que se gtratava de uma ameaça à sociedade. Nikolas Cruz atirava em roedores e publicava fotos com armas, pela quais tinha obsessão, no Instagram. Tinha poucos amigods e falava pouco, inclusive com a família. Depois de atirar nas vítimas, a maioria atingida na cabeça, tentou escapar. Detido, foi levado a um hospital e depois para a carceragem.

Toda vez que um franco atirador faz vítimas nos Estados Unidos, especialmente nas escolas, rediscute-se a legislação americana, que defende o direito do cidadão à defesa e, portanto, de andar armado. Isso é mais aceito num país militarizado e que vive sempre em alguma guerra.

O ataque em Parkland foi o 18o. incidente com arma de fogo em uma Escola nos estados Unidos apenas este ano, segundo o grupo de controle de armas Everytown forGun Safety. Isso inclui suicídios e incidentes sem feridos. Em janeiro, um estudante armado já matara dois estudantes em uma escola secundária de Benton, no Kentucky.

Cabe às escolas traçar um perfil dos seus alunos e manter a segurança - inclusive armada, se necessário. No Brasil, em que as escolas públicas da periferia estão sujeitas à influência do crime organizado, a escola parece mais próxima do crime que da civilidade.

A realidade é que esse tipo de crime reflete a violência da própria sociedade, a começar pela americana, que cultiva o belicismo, tanto quanto a posse da arma de fogo. Um país em constante guerra, em que morrer atirando é cultivado como ato de heroísmo, e não a exceção civilizatória, é palco certo para a tragédia. Ainda mais numa era de espetacularização do crime,  junta-se aos desvios de conduta para a multiplicação de incidentes trágicos.

A doença, portanto, é individual e social, juntas e misturadas. Muitos americanos já perceberam que foram longe demais. No entanto, ao votar em presidentes truculentos, que ameaçam a paz, a começar pelas palavras, como Donald Trump, não parecem tão dispostos a mudar.