23 Jul 2019

Ataque a petroleiros gera danos e contradições

  Sex, 14-Jun-2019

Pela segunda vez em poucas semanas, navios foram atacados nesta quinta-feira (13) na região do Golfo de Omã, uma rota crucial para a distribuição mundial de petróleo. As embarcações Kokuka Courageous e Front Altair, de bandeiras do Panamá e das Ilhas Marshall, respectivamente, vinham navegando na direção sudeste e haviam acabado de passar o Estreito de Hormutz, quando foram bombardeadas. Por essa rota, passam nada menos do que 30% de todo o petróleo que abastece o globo.

O Front Altair carregava 75 mil toneladas de Nafta dos Emirados Árabes para Taiwan. A tripulação conseguiu evacuar a embarcação e foi resgatada sem vítimas por outro navio cargueiro. Em seguida, foram todos transferidos para uma embarcação oficial do Irã, que os levou para um porto local. Apesar de não ter afundado, fotos de satélite da Iceye confirmam que houve derramamento de óleo “incomum”, e sugerem avaliação especializada.

Já o Kokuda Corageous trazia cerca de 25 mil toneladas de metanol da Arábia Saudita para Cingapura, e foi atacado no casco, o que incendiou o motor da embarcação. Segundo o presidente da empresa japonesa Kokuka Sangio, proprietária do navio, Yutaka Katada, a tripulação abandonou o navio após um segundo ataque, e houve apenas uma vítima com ferimentos leves.

Diante da suspeita dos Estados Unidos de que os ataques tenham sido orquestrados pela Guarda Revolucionária iraniana, um oficial do exército do país garantiu à BBC que “o Irã não tem ligação com o incidente”.

A acusação dos EUA tem por base uma investigação do exército americano, que inclui um vídeo no qual os revolucionários removem uma mina naval (limpet) não detonada. O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, classificou os ataques como “gratuitos”.

Contradição

Segundo o armador japonês, a tripulação do Kokuka chegou a ver “objetos voadores” antes do ataque, o que invalidaria a teoria das minas navais. "Recebemos um primeiro relatório dizendo que nosso navio havia sido atingido por uma granada.

Depois disso, a tripulação viu outros navios pegando fogo, e teve que desviar para evitar passar por eles” – disse Yutaka Katada. "Três horas depois, fomos atingidos novamente". No momento do ataque, o Front Altair também reportou ao CPC Group, a empresa contratante do navio, que suspeitava ter sido atingido por um torpedo.

Em maio deste ano, quatro petroleiros foram atacados no Golfo de Omã, na região dos Emirados Árabes Unidos, também sem deixar vítimas, porém causando prejuízos comerciais e danos às embarcações.

Um relatório enviado pelos Emirados à ONU concluiu que as explosões foram parte de uma “ação sofisticada e coordenada por um agente com significativa capacidade operacional, muito provavelmente um Estado”.

Oficialmente, os Emirados Árabes não acusaram nenhum país, porém, o seu representante na ONU, Abdallah al-Mouallimi, chegou a dizer que teria evidências suficientes para confirmar que “a responsabilidade de tais atos recai sobre os ombros do Irã”.