21 Jul 2019

Assange, do Wikileaks, foi preso pela polícia britânica

  Qui, 11-Abr-2019

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, 47 anos, foi preso pela polícia britânica nesta quinta-feira (11) na embaixada do Equador, em Londres, no Reino Unido.

Assange responde a um processo relacionado a um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos e estava asilado na embaixada desde 2012.

Assange e o Wikileaks publicaram documentos confidenciais do governo americano em 2010.Nos estados Unidos, ele é processado por conspiração e violação de senha para invadir um computador do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que guardava informações confidenciais.

O caso envolveu a ex-analista de inteligência do Exército Chelsea Manning. Presa em 2010, ela foi condenada a 35 anos de cadeia por vazar documentos ao Wikileaks. Porém, teve a pena reduzida por decisão do então presidente Barack Obama e foi solta em 2017.

Segundo o Departamento de Justiça, Assange pode ser condenado a no máximo cinco anos de prisão por este processo. de acordo com o governo britânic, a decisão de extraditá-lo ou não agora será tomada por um juiz da corte de Westminster.

Ele deve levar em conta se o réu está sendo processado apenas por suas posições políticas, ou pelo trabalho do jornalismo, ou por um crime de violação de privacidade. E considerar ainda o tempo desde a realização dos crimes e a condição de saúde de Assange.

O ministro britânico do Exterior, Alan Duncan, afirmou que Assange não será extraditado se houver a possibilidade de ele ser condenado à pena de morte. "É nossa política em todas as circunstâncias, então isso se aplica igualmente a Assange", disse. "Ele não será extraditado se tiver de encarar a pena de morte."

Em novembro, o Wikileaks apontou que Assange estava sendo processado de forma secreta pelos Estados Unidos. O governo norte-americano não confirmou a informação.

Asssange foi levado a uma audiência em Londres, após ser preso, e condenado pela Justiça britânica sob acusação de violar as regras da liberdade condicional, por não comparecer a uma audiência em 2012.

A sentença pode chegar a um ano de prisão. Uma nova audiência, a ser realizada por vídeo, foi marcada para 2 de maio.

Após a prisão, o ministro britânico do Interior, Sajid Javid, agradeceu a cooperação do Equador, que permitiu a entrada da polícia britânica na embaixada, que é território equatoriano. “Ninguém está acima da lei”, disse Javid.

O presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou ter pedido ao Reino Unido garantias de que o fundador do Wikileaks não será deportado para um país onde possa ser alvo de tortura ou de pena de morte. "O governo do Reino Unido confirmou isso por escrito, de acordo com suas regras", disse.

 

Sete anos
Detido em dezembro de 2010 na Inglaterra por conta de uma investigação sobre assédio sexual na Suécia, Assange foi liberado dias depois mediante fiança, mas não conseguiu reverter o processo de extradição. Buscou então asilo diplomático.

Passou a viver na embaixada e adotou a cidadania equatoriana em dezembro de 2017. Ela, no entanto, foi cancelada pelo governo na quarta-feira.

Procuradores da Suécia decidiram arquivar o processo de assédio em 2017 pela impossibilidade de ouvir Assange. Acabaram foram surpreendidos com sua prisão. "Também não sabíamos que ele seria preso", disse Ingrid Isgren, chefe dos procuradores da Suécia.

​O receio de Assange era que as autoridades suecas o entregassem aos Estados Unidos. As coisas pioraram para ele quando perdeu a cidadania equatoriana. Segundo o jornal inglês Guardian, ele não podia receber visitas ou acessar a internet desde março, sinal de que sua vida na embaixada estava azedando.

No fim de 2018, Assange entrou na Justiça do Equador contestando os novos termos de seu asilo, que determinam que ele deve pagar por suas contas médicas e de telefone e limpar a sujeira de seu gato.

No começo de abril, o presidente Moreno disse em entrevistas a rádios do Equador que Assange havia violado repetidamente os termos de seu asilo na embaixada. “Ele não pode mentir, e menos ainda hackear contas ou telefones celulares particulares”, afirmou. Fotos de seu quarto e de sua família haviam sido publicadas em redes sociais.

Na realidade, o que incomodava mesmo era o fato de que Assange recentemente publicou por meio do WikiLeaks informes sobre os chamados Papéis Ina, que apontam um esquema de corrupção ligando Moreno a uma empresa offshore no Panamá. O presidente nega qualquer malfeito e reclamou do "hóspede", dizendo que ele não podia “intervir na política de outros países, quanto mais na de países amigos”.

A decisão de Moreno foi criticada pela oposição. "O maior traidor da história equatoriana e latino-americana, Moreno permitiu que a polícia britânica entrasse na nossa embaixada em Londres", afirmou pelo Twitter o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, que concedeu o asilo a Assange em 2012. "Moreno é um corrupto, mas o que fez é um crime que a humanidade nunca esquecerá."

Para o WikiLeaks, a retirada do asilo é ilegal e viola a lei internacional.