23 Jul 2019

 O último ranking dos bilionários da revista Forbes perdeu uma centena e meia de nomes brasileiros, que entraram na lista entre 2014 e 2018, e saíram agora, com a crise econômica e a operação Lava Jato: caíram como subiram, feito meteoros.

A prisão nesta segunda-feira de Pedro Andrade Faria, presidente do frigorífico BRF entre 2015 e dezembro de 2017, além de outros dez diretores da empresa, numa grande operação da Polícia Federal que apurou fraudes laboratoriais para a venda de produtos da empresa burlando a fiscalização, mostra como uma parcela do empresariado brasileiro se deteriora além da corrupção do setor público. Dona de marcas populares como Sadia e Perdigão, a BRF emaranhou-se em um festival de crimes contra o consumidor, administração danosa e dívidas bilionárias, que desmoralizam não apenas a empresa como o presidente do seu Conselho de Administração, Abílio Diniz, ícone de uma elite que vai sendo pendurada no açougue onde se abatem a incompetência e a picaretagem.

A notícia de que o Produto Interno Bruto cresceu 1% em 2017 confirma a sensação de que o país freou o trem que rumava para o descarrilhamento, depois de dois anos com quedas sucessivas de mais de 3%. A taxa de 1% tecnicamente significa que o país continua em recessão, já que para que a renda per capita crescer é preciso pelo menos 3% a 4% positivos ao ano. Porém, mostra qual é o caminho para a recuperação - e dá uma vitória ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que afirma estar mais perto de ficar no PSB que mudar para o MDB do presidente Michel Temer, mantendo aberta a possibilidade de concorrer em outubro à presidência, independente do que fizer o próprio Temer.  

No esforço para rrumar a economia, o governo federal tem mandado sinais contraditórios no tratamento dos endividados com os cofres do Tesouro Nacional. Enquanto faz jogo duro com os estados, com dificuldades para manter os serviços básicos e pagar o funcionalismo, executando 3 bihoes em dividas de dez estados, liberou um refinanciamento de dívidas para empresas privadas que equivale ao dobro do previsto, quando cedeu ano passado ao Congresso, onde parlamentares possuem empresas penduradas no Fusco. É o maior perdão de dívidas da história do Brasil, de cerca de 60 bilhões de reais.

Ao transferir sua iniciativa política para a segurança pública, com a intervenção federal no Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer dá sinais de que já não acredita na recomposição da economia como pilar de seu governo. Fim das ilusões de quem queria ser o "presidente das reformas", o presidente acaba cedendo a dois apelos mais urgentes: liberar verbas em ano eleitoral, contra seus planos de austeridade, e uma ação popularesca, para obter prestígio imediatista, com o uso das Forças Armadas.

A arrecadação do governo federal em 2017 foi de 1,34 trilhão de reais, com aumento real de 0,59% em relação ao ano anterior, descontada a inflação, devido ao esforço de arrecadação do governo, num ambiente de recessão.

A notícia de que apenas 5 pessoas detém no Brasil o equivalente a metade da renda da população mais pobre não parece novidade num país caracterizado pela desigualdade social desde sua fundação.

A China investiu US$ 20,9 bilhões no Brasil em 2017, maior valor desde 2010, segundo o Ministério do Planejamento.

Muito graças à recessão, que tornou mais baratas as empresas brasileiras.

Os setores de energia,logística e agricultura atraíram o maior volume de capital chinês, incluindo investimentos nos campos de petróleo do pré-sal e o acordo de US$ 2,25 bilhões da chinesa State Power Investment Corp para operar a Hidrelétrica de São Simão.

Números recordes

A crise deu outros números recordes à economia brasileira. O número de fusões e aquisições envolvendo empresas nacionais em 2017 foi o maior de todos os tempos, segundo a consultoria KPMG, que acompanha o mercado desde 1994. “O resultado foi surpreendente”, disse o sócio responsável pelo estudo, Luis Motta.

O último trimestre de 2017 registrou o maior número de transações da série histórica. Foram 246 compras e fusões no período - enquanto a média dos demais trimestres do ano foi de 195.

Sinal de que a crise gera oportunidades - para quem tem dinheiro.

A execução do programa do governo para retomar investimentos em infra-estrutura não está saindo como o esperado, com a paralisação das obras públicas provocada pela Lava Jato, a redução das fontes de financiamento e a crise das empresas, que demitiram em massa nos últimos meses.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, defendeu que a Sabesp – estatal de saneamento básico de São Paulo – funcione como uma empresa privada. E minimizou o conflito de interesses com a criação de uma holding que englobará a Sabesp, com capital majoritariamente estatal, mas que poderia ser gerida pelo seu futuro sócio privado.