19 Jan 2020

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou em junho uma alta de 6,6% do setor de serviços, em relação ao mês anterior. O que foi comemorado na mídia como boa notícia, porém, é uma boa notícia relativa, já que houve pouco mais que a recuperação de uma queda do mês anterior, de 5%, devido à paralisação dos caminhoneiros. Ainda assim, o setor de serviços tem sido um refúgio na crise, especialmente para os trabalhadores que perderam o emprego na indústria e vão para o mercado informal - não medido pelo índice.  

Em julho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, foi de 0,33%. Isso significa que os preços subiram menos, mas não se trata exatamente de uma boa notícia.

Em junho, o IPCA já havia ficado em 1,26%, aceleração atribuída pelo governo aos efeitos do protesto dos caminhoneiros, que fez subir sobretudo o preço dos combustíveis, escassos durante a paralisação. Trata-se portanto de uma alta de 0,33% sobre outra de 1,26%.

O Conselho Monetário Nacional aumentou nesta terça-feira o limite máximo para o valor de imóveis que podem ser financiados pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, que era de 950 mil reais nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Ele agora é de 1,5 milhão de reais e vale para todo o território nacional.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar derrubou nesta segunda-feira uma resolução normativa, criada por ela mesma, que instituía a cobrança de uma franquia semelhante à do seguro dos carros e um sistema de coparticipação nos planos de saúde.

Com o sistema em crise, pelo abandono de uma fatia expressiva de contribuintes, a intenção da agência era atender às preocupações da seguradoras. Porém, onerar ainda mais os usuários remanescentes, já bastante estrangulados com a alta de seus planos, poderia ser um golpe fatal - e o governo decidiu discutir melhor o assunto antes de uma decisão precipitada. 

Preocupados com a onda protecionista da China e dos Estados Unidos, o Japão e os líderes da União Europeia  assinaram o mais ousado plano de cooperação econômica e livre comércio desde a própria criação da UE.

Depois do acordo de parceria com a Boing, a Embraer recebeu a encomenda de 25 aviões E175, seu jato de porte médio, pela United Airlines - no valor estimdo de cercade 1,1 bilhões de dólares.

O presidente Michel Temer tem se especializado na arte de voltar atrás. Desmoralizado pelos indícios de corrupção, pelos ministros que colocou e teve de tirar, já não tem o escudo do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que dava um pouco de credibilidade ao governo na área econômica. O protesto dos caminhoneiros terminou de colocar seu governo de joelhos. E, agora, diante de mais decisões equivocadas no desespero para sair da crise, passou a ser humilhado.

Nao há nada mais difícil no Brasil do que desmontar seu Estado pantagruélico, tanto pela resistência dos políticos e dos empresários que se alimentam da simbiose fisiológica com os negócios públicos, quanto pela ação da Justiça, que dá amparo ao corporativismo estatal. Dessa vez, a Justiça do Trabalho no Rio de Janeiro mandou nesta terça-feira suspender a venda de cinco distribuidoras de energia do sistema Eletrobras, que agora tem de apresentar em 90 dias um "estudo de impacto" da privatização sobre seus contratos de trabalho. Em outras palavras, a Justiça afirma que uma privatização não pode prejudicar os funcionários da empresa - como se a companhia fosse deles, e não do Estado, isto é, do povo brasileiro.

O protesto dos caminhoneiros chegou ao fim, mas a vida dos brasileiros continua a mesma. No fim de semana, os consumidores que não usam diesel continuaram pagando mais caro pelo combustível, prova de que, para a Petrobras, apesar da saída do seu presidente, Pedro Parente, a rigor nada mudou.

Depois da redução de impostos para atender os caminhoneiros, cujo protesto paralisou o país, o governo mandou a conta para compensar o que deixará de arrecadar este ano em PIS, Cofins e Cide, de forma a permitir uma redução de 41 centavos no preço do litro do diesel sem prejudicar a Petrobras. Além de aumentar os impostos das emppresas, sobretudo dos exportadores, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou um corte de gastos. Não caíram as mordomias de Brasília, como o auxílio moradia e outros benefícios injustificáveis que o poder público no Brasil  impõe em favor da burocracia estatal. Em vez da austeridade radical, os privilégios ficaram intocados, enquanto se cortou verba da saúde e da educação. Além de fazer as piores escolhas, o gerenciamento desastrado da crise atirou para fora da Petrobras seu presidente, Pedro Parente, que vinha fazendo o trabalho de recuperação da empresa. Muito embora o choque na Petrobras seja passageiro, o episódio deixa como herança um governo à deriva, cujo propósito não é mais do que chegar ao seu final, ou chegar ao final antes de algum desastre maior.