15 Set 2019

Nesta terça-feira, com a aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça, cumpre-se a primeira etapa para sua aprovação pela Câmara dos Deputados, onde se prevê que ela deve seguir adiante sem grandes modificações, mesmo sem um acordo com o Centrão. Embora seja uma reforma importante para o futuro do sistema e da aposentadoria, a Nova Previdência tem sido apresentada pelo governo como uma panaceia para todos os problemas econômicos do país. Porém, há uma série de outras soluções tão ou mais urgentes que o governo ainda está perigosamente longe de encaminhar.

O ministro da economia, Paulo Guedes, explicou ao presidente Jair Bolsonaro as razões do reajuste no preço do diesel e foi a público dizer que o presidente "entendeu", com "humildade".  Quase uma semana após o reajuste cancelado de 5,7% pelo próprio presidente, numa intervenção que alarmou os que esperavam a economia liberal e de mercado preconizada pelo governo, Guedes à frente, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira um reajuste de 10 centavos no preço do diesel - ou 4,84%. Sinal de que o liberalismo econômico continua nas rédeas do presidente, temperado pelo receio político de nova greve dos caminhoneiros, com a consequente desordem já vista no ano passado.

O governo federal anunciou nesta terça-feira um pacote de medidas para afagar os caminhoneiros, que rumam para uma segunda paralisação da categoria, como a que afetou toda a economia no final do governo Temer. Porém, como um grande rodoanel ao redor da crise, o pacote apenas contorna os problemas principais, sem entrar neles - o cumprimento da tabela acordada com as empresas de transporte e o preço do diesel, cujo aumento o presidente Bolsonaro retardou semana passada, para relançá-lo agora no meio de medidas com um efeito digestivo.

O retorno da crise dos caminhoneiros se deve a uma série de fatores, que não dizem respeito ao preço do diesel, forçado a recuar na sexta-feira, quando o presidente Jair Bolsonaro mandou a Petrobras suspender o reajuste de 5,7% para evitar nova greve que paralisasse o país, como aconteceu no final do governo de Michel Temer.

"A maioria das transportadoras não pagou os valores da tabela, acordados com o governo para a suspensão da greve", afirmou a A República o dono de uma das maiores companhias de transporte do país. Com isso, especialmente os caminhoneiros autônomos continuaram estrangulados, numa situação que reúne duas crises: a conjuntural e a sistêmica.

Um grupo de quarenta caminhoneiros promoveu uma carreata e buzinaço na Linha Verde, em Curitiba, na manhã de sábado (30), prenúncio de protesos que voltam a surgir e ameaçam paralisar novamente o país.

"A crise é maior que antes", afirmou a Repúblico a dono de uma das maiores transportadoras do país, que utiliza o serviço de transportadores independentes - respondem a cerca de 30% de suas entregas, índice que pode chegar a 60% nos períodos de alta. "A maior parte das empresas não tem cumprido o acordo e não está pagando os valores de tabela."

Enquanto em Brasília Executivo e Legislativo tentam chegar a uma convivência civilizada para aprovar as reformas necessárias ao país, o IBGE divulgou números reveladores sobre a vida no país real, ainda em segundo plano para os recém eleitos representantes da Nação.

De acordo com sua pesquisa trimestral, o IBGE informa que o Brasil tem hoje 27,9 milhões de desempregados e subempregados. Com isso, a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 24,6% da população ativa, recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Isso quer dizer que um a cada três brasileiros em idade de trabalho está fora do mercado, parado ou se virando como pode.

Diante do bloqueio à Nova Previdência armado na Câmara, que no seu lugar construiu uma ampla coalisão contra o govenro na qual se incluiu boa parte do próprio partido do presidente jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que fica - mas pode sair.

Desde o início, Guedes condiciona seu trabalho á aprovação da reforma previdenciária, sem a qual ele não vê solução para as contas públicas, o que comprometeria todo o seu trabalho. Dessa forma, acendeu o sinal amarelo.

Em meio à crise política, uma boa notícia veio dar alento ao governo Bolsonaro. 

Em fevereiro, foram criados no Brasil 173.139 empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia. É o melhor desempenho para o mês desde 2014, quando foram abertas 260.823 vagas formais.

É hora do show. Assim foi chamado o evento realizado nesta segunda-feira (25), em Cupertino, na Califórnia, no qual a Apple anunciou uma série de novos produtos e especialmente serviços. As novidades fazem parte de sua estratégia de escapar da zona de conforto e abraçar nichos nos quais não se deu muito bem no passado, por falta de identificação ou de interesse - a empresa sempre terceirizou seu atendimento ao cliente, por exemplo, e preferia trocar um aparelho quebrado dentro da garantia por um novo, em vez de consertá-lo.

O governo colocou à venda hoje na Bolsa de Valores de São Paulo 12 aeroportos, em três regiões: Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. É o primeiro pacote de privatizações na gestão Bolsonaro, com o qual o governo busca arrecadar 2,1 bilhões de reais e colocar os compradores para fazer investimentos de 3,5 bilhões nos terminais.