7 Abr 2020

O presidente Jair Bolsonaro mandou demitir o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, por conta dos estudos sobre a recriação do imposto sobre operações financeiras, nos moldes da antiga CPMF. Bolsonaro sempre se declarou contra aumentos de impostos, até porque são pouco eficazes - aumentam a receita do governo no primeiro  instante, mas são recessivos e acabam reprimindo a economia e também a arrecadação, num buraco sem fundo.

Assim, Bolsonro, que já não vinha gostando da fiscalização da Receita sobre figuras de proa da República, incluindo as próximas dele, queimou Cintra. E acabou chamuscando o chefe do secretário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que já vinha anunciando a criação do novo imposto - chegou a dar uma entrevista ao jornal Valor Econômico, dizendo que a alíquota chegaria em alguns casos a 1%.

Depois de oito meses completos de governo, o choque liberal prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não surtiu o principal efeito esperado - a redução do desemprego. Com isso, o governo resolveu algo que lembra os mandatos do PT: estuda empurrar a iniciativa privada com a máquina pública, de modo a recolocá-la para investir e criar postos de trabalho. Com isso, Guedes vai caindo na realidade brasileira, na qual o PT podia ter vocação estatizante, mas paradoxalmente isso caiu bem junto a um empresariado parasitário, que reluta em arriscar, contrariando a própria essência da atividade. E somente se põe em marcha com incentivos fiscais, financiamentos camaradas e todo tipo de facilidade - uma categoria que, no Brasil, historicamente se desenvolveu vivendo à sombra do Estado. E se alinhou perfeitamente com o PT enquanto o Estado ainda tinha dinheiro para inflar a economia.

O Produto Interno Bruto cresceu 0,4% no segundo trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano, chegando a 1,78 trilhão de reais - um sinal de recuperação muito débil, mas que não deixa de ser um sintoma de vida.

No primeiro trimestre, o PIB encolheu 0,1%, segundo revisão de dados pelo IBGE. É uma reativação muito pequena para significar que o Brasil saiu da estagnação. Comparado ao mesmo período do ano passado, subiu 1%. Esse período de 2018, porém, foi atípico, conturbado pela greve dos transportes, que derrubou e desorganizou a atividade econômica no país.

Com seu estilo populista meio espalhafatoso e caricato, desenvolvido e exercido por meio das redes sociais, os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil vêm prestando um grande desserviço à sociedade.

Cada um no seu palácio, Trump e Bolsonaro transmitem a sensação de que a direita - como se convencionou chamar nos dias de hoje o movimento político conservador -  não passa de um amontoado de ações histriônicas, decisões bizarras e ataques gratuitos a inimigos imaginários. E, assim, tornam a direita tão fantasiosa e ridicula como a esquerda também caricata que anunciam confrontar.

Dessa forma, desmoralizam o que o conservadorismo poderia trazer de bom neste momento - ideias, que, levadas a sério, e não como uma mera encenação de marketing, poderiam colaborar de fato com soluções políticas e econômicas para os problemas contemporâneos, que não são poucos e nem fáceis.

A redução dos juros em meio ponto percentual, para 6% ao ano, é uma tentativa do Comitê de Politica Monetária do Banco Central de colaborar com a retomada da economia, que continua sem dar sinais palpáveis de reação. Mais que baratear empréstimos, o governo pretende tirar os empresários e investidores da zona de conforto - o dinheiro aplicado no banco - para voltar aos negócios, o único fator capaz de reconduzir o país ao desenvolvimento. O mesmo fenômeno ocorre nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve também acaba de baixar os juros. Ocorre que a saída do marasmo não está sendo fácil - e a queda dos juros, assim como outras medidas econômicas ortodoxas, também não deve ser o bastante.

No discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu acabar com a "indústria da multa" no Brasil: a teia de radares que onera os motoristas e serve menos para colocar ordem nas ruas e rodovias que como uma fonte biliardária de recursos para os cofres públicos, sem a mesma contrapartida no serviço público.

Na prática, mesmo, o governo acaba de fechar um acordo judicial para instalar ainda este 1.140 novos radares em rodoviais federais, firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a juíza Diana Wanderley da Silva, da 5ª Vara Federal de Brasília. E prepara outros pacotes do gênero, num plano para a instalação de até 8 mil radares operados por concessionárias privadas a curto prazo.

O sucesso de alguns livros reflete a preocupação da sociedade com a crise do capitalismo e da democracia, binômio que guiou o mundo livre desde o início do Século passado como garantia de liberdade e prosperidade.

Na lista das 20 obras  mais procuradas de não ficção, estão "Como as Democracias Morrem", dos economistas Steven Levitsky e Daniel Ziblatt; "Sobre o Autoristarismo Brasileiro", da historiadora Lília Schwarcz; e "A elite do atraso", de Jessé Souza.

A Petrobras arrecadou R$ 8,6 bilhões com uma nova venda de ações de BR Distribuidora nesta terça-feira, por meio da qual a empresa passou a ter mais capital privado que estatal.

Com o ministro da economia Paulo Guedes tirando dinheiro do fundo do tacho, o Congresso aprovou por unanimidade o plano que autoriza o governo federal a realizar operações de crédito com verba extra de R$ 248,9 bilhões.

Com isso, na prática o governo dá um salva-vidas ao presidente Jair Bolsonaro. O governo poderá descumprir a regra de ouro do controle orçamentário, a mesma que deu origem ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, baseado nas "pedaladas fiscais".

No trimestre que terminou em abril, o Brasil teve em média cerca de 13,2 milhões de desempregados, 4,4% mais que no trimestre anterior, segundo o IBGE. A população subutilizada, que inclui pessoas subempregadas ou que desistiram de procurar emprego formal, foi estimada em 28,4 milhões de pessoas - recorde da série histórica iniciada em 2012, 3,9% mais que no trimestre anterior (27,3 milhões de pessoas) e 3,7% acima do trimestre de 2018 (27,4 milhões de pessoas).

O aumento do bico - o trabalho informal - explica uma relativa estabilidade na taxa de desemprego, que ficou em 12,5%, em média, no trimestre que acabou em abril. O índice subiu meio ponto em relação ao trimestre anterior, de novembro de 2018 a janeiro de 2019, quando ficou em 12%, e foi um pouco menor que o mesmo período do ano passado, quando estava em 12,9%.