23 Jul 2019

O efeito mais mediato do pacotão pró-armamentista do governo Bolsonaro foi a súbita alta das ações da Taurus, que não sao cotadas em Bolsa de Valores

As mudanças dos meios de comunicação, com o fortalecimento da internet em relação aos veículos convencionais, abriu uma crise mesmo no lugar considerado antes inexpugnável: a Rede Globo de Televisão.

Depois da queda da Abril Mídia, que pediu recuperação judicial com 1,6 bilhão de reais em dívidas, ainda não renegociadas pelo BTG para ficar com os títulos das revistas veja e Exame, a Globo viu seu faturamento cair à razão de 15% ao ano nos últimos cinco anos e começou a cortar gastos mais celeremente após o prejuízo operacional de meio bilhão de reais em 2018.

Aprovada nesta terça-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados por 48 votos a 18, a Nova Previdência foi considerada constitucional e agora segue para a comissão especial, que deve ser criada nesta quinta-feira para analisá-la ponto a ponto.

Foi uma vitória do governo, mas sem o governo, ou apesar do governo, como deixou a entender o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que acompanhou o trabalho de perto.

"Foi uma vitória do Brasil, da Câmara dos Deputados, da responsabilidade de cada um dos deputados que sabem que sem a reforma da Previdência o Brasil vai para um caminho muito ruim", disse ele.

Nesta terça-feira, com a aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça, cumpre-se a primeira etapa para sua aprovação pela Câmara dos Deputados, onde se prevê que ela deve seguir adiante sem grandes modificações, mesmo sem um acordo com o Centrão. Embora seja uma reforma importante para o futuro do sistema e da aposentadoria, a Nova Previdência tem sido apresentada pelo governo como uma panaceia para todos os problemas econômicos do país. Porém, há uma série de outras soluções tão ou mais urgentes que o governo ainda está perigosamente longe de encaminhar.

O ministro da economia, Paulo Guedes, explicou ao presidente Jair Bolsonaro as razões do reajuste no preço do diesel e foi a público dizer que o presidente "entendeu", com "humildade".  Quase uma semana após o reajuste cancelado de 5,7% pelo próprio presidente, numa intervenção que alarmou os que esperavam a economia liberal e de mercado preconizada pelo governo, Guedes à frente, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira um reajuste de 10 centavos no preço do diesel - ou 4,84%. Sinal de que o liberalismo econômico continua nas rédeas do presidente, temperado pelo receio político de nova greve dos caminhoneiros, com a consequente desordem já vista no ano passado.

O governo federal anunciou nesta terça-feira um pacote de medidas para afagar os caminhoneiros, que rumam para uma segunda paralisação da categoria, como a que afetou toda a economia no final do governo Temer. Porém, como um grande rodoanel ao redor da crise, o pacote apenas contorna os problemas principais, sem entrar neles - o cumprimento da tabela acordada com as empresas de transporte e o preço do diesel, cujo aumento o presidente Bolsonaro retardou semana passada, para relançá-lo agora no meio de medidas com um efeito digestivo.

O retorno da crise dos caminhoneiros se deve a uma série de fatores, que não dizem respeito ao preço do diesel, forçado a recuar na sexta-feira, quando o presidente Jair Bolsonaro mandou a Petrobras suspender o reajuste de 5,7% para evitar nova greve que paralisasse o país, como aconteceu no final do governo de Michel Temer.

"A maioria das transportadoras não pagou os valores da tabela, acordados com o governo para a suspensão da greve", afirmou a A República o dono de uma das maiores companhias de transporte do país. Com isso, especialmente os caminhoneiros autônomos continuaram estrangulados, numa situação que reúne duas crises: a conjuntural e a sistêmica.

Um grupo de quarenta caminhoneiros promoveu uma carreata e buzinaço na Linha Verde, em Curitiba, na manhã de sábado (30), prenúncio de protesos que voltam a surgir e ameaçam paralisar novamente o país.

"A crise é maior que antes", afirmou a Repúblico a dono de uma das maiores transportadoras do país, que utiliza o serviço de transportadores independentes - respondem a cerca de 30% de suas entregas, índice que pode chegar a 60% nos períodos de alta. "A maior parte das empresas não tem cumprido o acordo e não está pagando os valores de tabela."

Enquanto em Brasília Executivo e Legislativo tentam chegar a uma convivência civilizada para aprovar as reformas necessárias ao país, o IBGE divulgou números reveladores sobre a vida no país real, ainda em segundo plano para os recém eleitos representantes da Nação.

De acordo com sua pesquisa trimestral, o IBGE informa que o Brasil tem hoje 27,9 milhões de desempregados e subempregados. Com isso, a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 24,6% da população ativa, recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Isso quer dizer que um a cada três brasileiros em idade de trabalho está fora do mercado, parado ou se virando como pode.

Diante do bloqueio à Nova Previdência armado na Câmara, que no seu lugar construiu uma ampla coalisão contra o govenro na qual se incluiu boa parte do próprio partido do presidente jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que fica - mas pode sair.

Desde o início, Guedes condiciona seu trabalho á aprovação da reforma previdenciária, sem a qual ele não vê solução para as contas públicas, o que comprometeria todo o seu trabalho. Dessa forma, acendeu o sinal amarelo.