19 Jan 2020

O Produto Interno Bruto cresceu 0,4% no segundo trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano, chegando a 1,78 trilhão de reais - um sinal de recuperação muito débil, mas que não deixa de ser um sintoma de vida.

No primeiro trimestre, o PIB encolheu 0,1%, segundo revisão de dados pelo IBGE. É uma reativação muito pequena para significar que o Brasil saiu da estagnação. Comparado ao mesmo período do ano passado, subiu 1%. Esse período de 2018, porém, foi atípico, conturbado pela greve dos transportes, que derrubou e desorganizou a atividade econômica no país.

Com seu estilo populista meio espalhafatoso e caricato, desenvolvido e exercido por meio das redes sociais, os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil vêm prestando um grande desserviço à sociedade.

Cada um no seu palácio, Trump e Bolsonaro transmitem a sensação de que a direita - como se convencionou chamar nos dias de hoje o movimento político conservador -  não passa de um amontoado de ações histriônicas, decisões bizarras e ataques gratuitos a inimigos imaginários. E, assim, tornam a direita tão fantasiosa e ridicula como a esquerda também caricata que anunciam confrontar.

Dessa forma, desmoralizam o que o conservadorismo poderia trazer de bom neste momento - ideias, que, levadas a sério, e não como uma mera encenação de marketing, poderiam colaborar de fato com soluções políticas e econômicas para os problemas contemporâneos, que não são poucos e nem fáceis.

A redução dos juros em meio ponto percentual, para 6% ao ano, é uma tentativa do Comitê de Politica Monetária do Banco Central de colaborar com a retomada da economia, que continua sem dar sinais palpáveis de reação. Mais que baratear empréstimos, o governo pretende tirar os empresários e investidores da zona de conforto - o dinheiro aplicado no banco - para voltar aos negócios, o único fator capaz de reconduzir o país ao desenvolvimento. O mesmo fenômeno ocorre nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve também acaba de baixar os juros. Ocorre que a saída do marasmo não está sendo fácil - e a queda dos juros, assim como outras medidas econômicas ortodoxas, também não deve ser o bastante.

No discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu acabar com a "indústria da multa" no Brasil: a teia de radares que onera os motoristas e serve menos para colocar ordem nas ruas e rodovias que como uma fonte biliardária de recursos para os cofres públicos, sem a mesma contrapartida no serviço público.

Na prática, mesmo, o governo acaba de fechar um acordo judicial para instalar ainda este 1.140 novos radares em rodoviais federais, firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a juíza Diana Wanderley da Silva, da 5ª Vara Federal de Brasília. E prepara outros pacotes do gênero, num plano para a instalação de até 8 mil radares operados por concessionárias privadas a curto prazo.

O sucesso de alguns livros reflete a preocupação da sociedade com a crise do capitalismo e da democracia, binômio que guiou o mundo livre desde o início do Século passado como garantia de liberdade e prosperidade.

Na lista das 20 obras  mais procuradas de não ficção, estão "Como as Democracias Morrem", dos economistas Steven Levitsky e Daniel Ziblatt; "Sobre o Autoristarismo Brasileiro", da historiadora Lília Schwarcz; e "A elite do atraso", de Jessé Souza.

A Petrobras arrecadou R$ 8,6 bilhões com uma nova venda de ações de BR Distribuidora nesta terça-feira, por meio da qual a empresa passou a ter mais capital privado que estatal.

Com o ministro da economia Paulo Guedes tirando dinheiro do fundo do tacho, o Congresso aprovou por unanimidade o plano que autoriza o governo federal a realizar operações de crédito com verba extra de R$ 248,9 bilhões.

Com isso, na prática o governo dá um salva-vidas ao presidente Jair Bolsonaro. O governo poderá descumprir a regra de ouro do controle orçamentário, a mesma que deu origem ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, baseado nas "pedaladas fiscais".

No trimestre que terminou em abril, o Brasil teve em média cerca de 13,2 milhões de desempregados, 4,4% mais que no trimestre anterior, segundo o IBGE. A população subutilizada, que inclui pessoas subempregadas ou que desistiram de procurar emprego formal, foi estimada em 28,4 milhões de pessoas - recorde da série histórica iniciada em 2012, 3,9% mais que no trimestre anterior (27,3 milhões de pessoas) e 3,7% acima do trimestre de 2018 (27,4 milhões de pessoas).

O aumento do bico - o trabalho informal - explica uma relativa estabilidade na taxa de desemprego, que ficou em 12,5%, em média, no trimestre que acabou em abril. O índice subiu meio ponto em relação ao trimestre anterior, de novembro de 2018 a janeiro de 2019, quando ficou em 12%, e foi um pouco menor que o mesmo período do ano passado, quando estava em 12,9%. 

A Medida Provisória da  Nova Previdência abre a possibilidade de privatização do sistema previdenciário, o que pode resultar na transferência dos recursos dos bancos estatais para os bancos privados. Hoje, estes só podem criar fundos de pensão e oferecer a chamada "previdência privada" como renda complementar à oficial.

Essa é uma das questões que devem ser debatidas pelos deputados e que podem dificultar a rápida e integral aprovação da MP, como deseja o governo.O projeto encontra resistência até mesmo dentro do partido do presidente Jair Bolsonaro. Cinco deputados do PSL, incluindo o presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), assinaram um projeto alternativo do PL (ex-PR) para a reforma, substitutivo ao do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Guedes é hoje não somente o principal defensor como o maior interessado na Nova Previdência. O BTG Pactual, do qual é acionista licenciado, é um dos cinco bancos privados que administram as aposentadorias no Chile, onde foi adotado o sistema de capitalização que ele propõe também ao Brasil. Em entrevista a Veja, publicação hoje também sob controle do BTG, Guedes chegou a afirmar que pediria demissão do cargo e que não teria mais o que fazer no governo caso a MP da Previdência fosse desfigurada.

Para a retomada dos investimentos, principal motor da recuperação econômica, é preciso tranquilidade, sem a qual o setor privado não assume riscos. E a falta de tranquilidade de um governo movido pelo confronto começa a produzir seu efeito. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto, que já vinha apontando um crescimento econômico cada vez menor, apresentou resultado negativo: queda de 0,2% no primeiro trimestre do ano, em relação ao trimestre anterior. 

A explicação para a queda é a intranquilidade reinante. O governo não conseguiu ainda aprovar as reformas pretendidas no Congresso e gera uma crise interna por dia, movido pelo Twitter do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe de tuiteiros incendiários, espalhando o receio junto aos investidores.

O resultado negativo do primeiro trimestre foi puxado em grande parte pela retração nos investimentos. A formação bruta de capital fixo, uma medida de investimentos, caiu 1,7%. As exportações também recuaram 1,9% no trimestre. Com isso, a economia caiu, mesmo tendo sido registrado um aumento no consumo das famílias (0,3%), do governo (0,4%) e das importações (0,5%).