25 Mai 2019

O desastre em série da Boeing

  Qui, 14-Mar-2019
O 737 Max: suspenso O 737 Max: suspenso

A agência de aviação civil dos Estados Unidos suspendeu todas as operações com aviões da família Boeing 737 Max que operam por companhias aéreas norte-americanas ou dentro do território dos Estados Unidos, após o acidente na Etiópia ocorrido no último domingo, no qual morreram os 157 ocupantes.

A tragédia da Etiópia foi o segundo acidente em cinco meses com um aparelho da serie Max 8, lançada em 2016 para concorrer com o Airbus Neo. Em outubro de 2018, outro avião caiu na Indonésia, com 345 mortos.

A decisão foi tomada após análises do acidente. "Essas evidências [colhidas no local do acidente], juntamente com os novos dados de satélite disponíveis, levaram a esta decisão", afirmou a FAA, em nota.

A Boeing recomendou a suspensão dos voos da família 737 Max em todo o mundo - um desastre em série para a empresa e a imagem da marca, que ainda aguarda as informações das caixas pretas de gravação de dados do voo e das conversas na cabine de pilotos.

O presidente Donald Trump afirmou à imprensa que "a FAA está preparada para fazer um anúncio em breve sobre as novas informações e evidências que recebemos."

No domingo, um Boeing 737 Max 8 caiu logo após a decolagem e uma mmensagem do piloto de que tinha problemas mecânicos e precisava retornar.

 Operação suspensa

Os americanos foram os últimos a paralisar as operações com o avião. A Gol suspendeu os voos de seus sete aparelhos na segunda-feira. Na terça-feira, a agência de aviação civil da União Europeia também suspendeu todos os voos com aviões do modelo nos 32 países do bloco. A China, que tem mais de cem aviões, foi a primeira a tirá-lo do ar.

Nos Estados Unidos, a medida só foi tomada depois que passageiros e sindicatos de comissários de bordo pressionavam o governo. Há 76 aviões da família Max operando para companhias aéreas americanas: 34 na Southwest, 26 na American Airlines e 16 na United Airlines.

No Canadá, a Air Canada parou seus 25 aviões e a WestJet outros 12 aviões do modelo. Dessa forma, oficialmente 342 dos 371 exemplares do Max deixaram de decolar.

Sistema polêmico

"Estamos apoiando este passo proativo de enorme cautela", afirmou a Boeing, em comunicado. "A segurança é um valor central na Boeing na produção de aviões, e será sempre assim. Não há prioridade maior para nossa empresa e nossa indústria."

Segundo a companhia, ela está fazendo de tudo "para entender a causa dos acidentes em parceria com os investigadores, implantar melhorias de segurança e ajudar a garantir que isso não aconteça novamente".

A série 737 Max, com os modelos Max, Max 7, 8, 9 e 10, traz um sistema inovador de manobra que é apontado por esepcialistas como a causa do acidente na Indonésia, num voo operado pela Lion Air.

Cogitou-se que o MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System, Sistema de Aumento das Características de Manobra) teria influenciado o acidente.

Mudança automática

O MCAS atua para evitar que o avião entre em situação de estol, ou seja, perca velocidade e sustentação e comece a cair. O sistema baixa o nariz da aeronave lentamente para um ângulo seguro.

É acionado quando o piloto automático está desligado, quando o nariz do avião está muito elevado ou faz uma curva muito inclinada.

Como todo sistema automático, uma disfunção poderia tirar o controle do piloto. Um relatório preliminar sobre a queda indicou diversos problemas com a leitura da velocidade do ar e da altitude pelos instrumentos dias antes do acidente.

O sistema teria mudado a pilotagem da aeronave. Associações de pilotos americanos manifestaram preocupação sobre o sistema. A Boeing informou na época que forneceu atualizações às empresas aéreas sobre o novo sistema de segurança e manifestou confiança na aeronave.

Outra geração

A série Max representa na teoria um salto tecnológico em relação a gerações anteriores. Na cabine de comando, as telas são maiores, com 38 centímetros.

As blades ("pás" que movimentam o ar) das turbinas são feitas de fibra de carbono com bordas em titânio, o que garante uma maior leveza em comparação com os modelos feitos de alumínio ou aço inoxidável. Isso representa menos combustível gasto com o tempo e maior resistência a impactos.

A ponta da asa também é diferente. Com 3 metros de altura, os winglets (dispositivos que diminuem o arrasto do ar e melhoram a performance da aeronave) são bifurcados, esticando uma ponta da asa para cima e outra para baixo.