25 Mai 2019

Governo suspende gastos, mas buraco aumenta

  Qua, 15-Mai-2019
Guedes e Bolsonaro: pedalando na subida Guedes e Bolsonaro: pedalando na subida

O governo anunciou o contingenciamento de 30 bilhões de reais este ano do orçamento, que atingiu todas as áreas, da educação ao Ministério da Defesa, mas prevê que pode tirar outros 10 bilhões além dos previstos. A razão é o andamento da economia, cujo crescimento este ano está sendo revisto de 2,5% para entre 2% e 1,5%. Com menos atividade econômica, a arrecadação cai. E o governo, que já imaginava ter que pedalar para poder pagar suas contas, vê agora que terá de pedalar na subida - um esforço maior.

Com a revisão do crescimento do Produto Interno Bruto, os técnicos do Ministério da Economia estimam que a arrecadação federal deve cair entre 7 e 20 bilhões de reais, se não forem tomadas medidas fiscais ou mais privatizações.

Já foram feitos contingenciamentos que causam transtornos ao governo. Nesta quarta-feira, estudantes em todo o país estão saindo às paras para protestar contra o estrangulamento. As Forças Armadas tiveram um corte de 44% na verba deste ano. Com isso, fontes do Ministério da defesa afirma que, se não hover uma retomada, os quartéis irão parar em setembro.

De acordo com os técnicos, caso o crescimento do PIB fique próximo de 1,5%, o contingenciamento adicional terá de ser de 10 bilhões de reais. Mais perto de 2%, será de 5 bilhões. Porém, no atual cenário, onde segurar mais?

Outros fatores influenciam as contas do governo. Entram na conta o câmbio, a inflação e a massa salarial dos brasileiros.

Na prática, o crescimento de 1,5% do PIB já configura recessão econômica. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística já aponta para a recessão no terceiro trimestre do ano e pode revisar também a projeção para o quarto trimestre.

A equipe econômica com com algumas medidas de estímulo, como o saque de contas inativas do FGTS, cuja reforma está sedo estudada. A ideia é corrigir o saldo das contas acima da inflação e facilitar a retirada. Hoje, ela só é permitida quando o trabalhador é demitido.

Na gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), foi permitido o saque de contas inativas e 44 bilhões foram despejados na economia, com um impacto de 0,7 ponto percentual a mais no PIB.

O ministro Paulo Guedes, porém, sinalizou que não gosta dessa alternativa, porque gera uma bolha de consumo artificial, apenas temporária e com efeito inflacionário.

Há 22 bilhões de reais em contas do PIS-Pasep anteriores a 1988 que o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, pretende liberar como “correção de rumos”.

O conjunto de medidas chamadas pela equipe de "microeconômicas" - a hipoteca reversa, títulos verdes e o seguro universal - tem corrigido distorções, mas dado pouco resultado em termos de reaquecimento econômico. Com a economia em retração, protesto na rua e isolamento político, o governo Bolsonaro vai comendo o pão que o diabo amassou.