19 Nov 2019

Governo paga o governo no leilão do petróleo

  Qua, 06-Nov-2019
Plataforma na baía de Santos: baixo interesse Plataforma na baía de Santos: baixo interesse

Se a ideia era atrair capital privado para a compra do direito de exploração de quatro campos de petróleo na Bacia de Santos, e com isso reforçar o caixa, o mega leilão não deu muito certo. Com quase nengum interesse do capital externo, no primeiro dia a Petrobras foi a maior compradora - dinheiro do governo que foi para o governo. Nesta quinta-feira, segundo dia do mega-leilão, apenas um dos cinco campos foi vendido. O comprador? A Petrobras, que ficou com 80% do campo, com 20% para a petroleira chinesa CNODC.

No total, o governo arrecadou R$ 75 bilhões, ou 65% do total esperado (R$ 114 bilhões)."O campo mais importante foi vendido [Búzios]", afirmou ainda na quarta-feira o presidente Jair Bolsonaro. "No meu entender, foi um sucesso."

A Petrobras foi a única empresa a fazer oferta pelo campo de Búzios, teoricamente o mais cobiçado do leilão. Nesse empreeendimento, está associada a duas empresas chinesas, mas que não detém mais que 10% do consórcio.

O segundo campo, de Itapu, também só recebeu proposta da Petrobras. os dois campos restantes não receberam ofertas - nem mesmo da estatal.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque disse que os campos restantes, de Sépia e Atapu, serão oferecidos novamente no ano que vem.

O resultado do leilão é um sinal negativo, ainda mais agora. O governo resolveu apoiar um projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), segundo a secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Renata Isfer.

O projeto acaba com o chamado polígono do pré-sal - área no mar da Sudeste que garante ao governo participação nos contratos de exploração e produção de petróleo e dá preferência à Petrobras.

Segundo a secretária, o apoio ao projeto é parte de um processo de revisão das regras do setor de petróleo. O cenário, porém, é o de que o governo apenas desobriga também a Petrobras a fazer o que ninguém quer.

“Queremos ter o direito de decidir caso a caso", dise Isfer. "Tem áreas em que não vale à pena ter partilha. Além disso, a partilha afeta a atratividade.”

“Temos que avaliar por quê as estrangeiras não tiveram participação”, disse o ministro Bento Albuquerque.

O petróleo ainda é nosso.