19 Set 2019

O governo vai colocar 8 mil radares nas rodovias federais

  Ter, 30-Jul-2019
Freitas: critérios técnicos" Freitas: critérios técnicos"

No discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu acabar com a "indústria da multa" no Brasil: a teia de radares que onera os motoristas e serve menos para colocar ordem nas ruas e rodovias que como uma fonte biliardária de recursos para os cofres públicos, sem a mesma contrapartida no serviço público.

Na prática, mesmo, o governo acaba de fechar um acordo judicial para instalar ainda este 1.140 novos radares em rodoviais federais, firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a juíza Diana Wanderley da Silva, da 5ª Vara Federal de Brasília. E prepara outros pacotes do gênero, num plano para a instalação de até 8 mil radares operados por concessionárias privadas a curto prazo.

O primeiro linhar de aparelhos será instalados em faixas consideradas de perigo médio a alto em todo o País. Devem entrar em operação dentro de 60 dias a partir da homologação do acordo jurídico. Parte dos aparelhos será instalada nas áreas urbanas.

O DNIT está trabalhando num outro acordo para instalar radares também nas faixas remanescentes, de "criticidade baixa e muito baixa".

Na decisão, a juíza destacou que os radares são "um dos principais instrumentos de controle de velocidade a salvar vidas, diante da grande imprudência de muitos motoristas no Brasil, e da falta de respeito às velocidades impostas".

Um plano assinado e encaminhado à Câmara pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, prevê a instalação total de 4.029 radares ainda este ano, em um total de 8.000 trechos colocados em licitação pública. Essa lista foi feita ainda no governo Temer, que, no seu esforço de arrecadação, dividiu as rodovias federais em 24 lotes, dos quais 18 já foram licitados para exploração por concessionárias privadas de servios públicos.

Bolsonaro disse que iria paralisar o andamento de tais licitações, que previam investimento por parte das concessionárias de R$ 1 bilhão. Já defendeu publicamente o fim dos radares para a restauração do "prazer de dirigir" e chegou a propôr ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, o fim dos radares móveis.

"Após revelação do @MInfraestrutura de pedidos prontos de mais de 8.000 novos radares eletrônicos nas rodovias federais do País, determinei de imediato o cancelamento de suas instalações", escreveu Bolsonaro no Twitter em 31 de março passado. "Sabemos que a grande maioria destes tem o único intuito de retorno financeiro ao Estado."

No texto enviado à Câmara, o ministro justificou seguir adiante com o plano. "É importante ressaltar que a definição da localização de radares em rodovias federais é uma questão puramente técnica e tem base na avaliação de segmentos críticos, ou seja, definidos em função dos registros de acidentes e da probabilidade de novas ocorrências", afirmou Freitas no documento.

Entre 2012 e 2018, o número de acidentes em rodovias federais caiu de 184 mil para 69 mil. As mortes caíam de 6.987 para 4.496 no mesmo período. Ou Bolsonaro voltou atrás na sua determinação "imediata" de suspender os novos radares, sem dizer nada a ninguém, ou não está sabendo bem quem dirige o carro do seu próprio governo.