19 Fev 2020

Banco suíço volta a recomendar o Brasil para investidor

  Dom, 13-Out-2019

Em um relatório dirigido a seus investidores, com o título "Brasil: cenário positivo para 2019 e 2020", datado de 11 de setembro, o Credit Suisse, um dos principais bancos suíços, voltou a recomendar o Brasil aos seus investidores. No relatório, o banco reúne elementos para mostrar o país novamente como um bom destino para os recursos internacionais. O movimento pode ser considerado um primeiro ponto de inflexão na curva dos investimentos no país, em queda desde a crise do setor público no governo de Dilma Rousseff, mesmo com as reformas na gestão Temer. Uma reativação que  demorava a acontecer, mesmo com a política liberal e de austeridade do ministro Paulo Guedes no governo Bolsonaro.

Essenciais para a retomada do crescimento, os investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros dependem não somente das condições econômicas objetivas como de vantagens competitiva no cenário mundial e de uma certa barreira psicológica de confiança - que o relatório suíço começa a quebrar.

Na prática, a percepção de que país é atrativo para os investimentos segue em grande parte as ondas criadas pelo próprio mercado financeiro, que, ao indicar para onde devem ir os recursos, gera uma bolha de crescimento que alimenta a si mesma.

Por isso, os relatórios dos bancos funcionam como uma bússola apontando qual será a bola da vez - e a análise do Credit Suisse indica que a bola do Brasil pode estar novamente chegando.

O relatório suíço faz um diagnóstico das principais falhas "estruturais" da economia brasileira: "baixo crescimento econômico e deterioração das contas públicas". Porém, aponta o efeito benéfico da "lua de mel" eleitoral no primeiro ano de governo para a aprovação de medidas impopulares, mas necessárias, como a reforma da previdência.

O fato de o governo ter levado adiante as reformas mais duras, hoje em tramitação no Congresso, mostra um cenário potencialmente melhor para a economia já para 2020, segundo os analistas do banco. "Nosso cenário-base parte do princípio de que o governo será capaz de aprovar algumas das grandes reformas, particularmente a da previdência e a reforma tributária", afirma. "Também esperamos progresso nos programas de concessão e privatização, assim como a redução de barreiras de comércio."

Mais crescimento

O Credit Suisse estima que o crescimento da economia brasileira será de 1,2% do PIB em 2020 e de 2,7% em 2020, por conta "sobretudo dos principais componentes da demanda doméstica, particularmente o consumo e investimentos".

Aponta ainda como vantagem o baixo nível de inflação, que deve "permanecer estável entre 2018 e 2019 e crescer a 4,0% em 2020". E a redução dos juros pelo Banco Central, o que deve promover a volta dos recursos aos investimentos produtivos.

"A aprovação da reforma da previdência e o uso de receitas não-recorrentes devem contribuir para melhorar a situação fiscal a curto prazo", afirma o relatório. Por fim, o Credit Suisse destaca a "manutenção de uma forte posição externa": "altas reservas internacionais, baixo nível de dívida externa e o afluxo de investimentos internacionais, que sugerem baixa vulnerabilidade a crises externas".

O Credit Suisse faz ainda uma análise dos investimentos disponíveis no Brasil, especialmente no mercado de ações. Apesar da alta de 102% do Ibovespa entre 2016 e 2018, avalia que as ações brasileiras ainda são baratas, sobretudo por conta da depreciação do real frente ao dólar no mesmo período.

Dessa forma, os suíços veem uma diminuição do risco no Brasil, ao mesmo tempo em que apontam espaço para a valorização dos recursos investidos. Mesmo a turbulência política, que surge com as intervenções por vezes intempestivas do presidente Bolsonaro, não se sobrepõe às condições mais objetivas da economia e seu reflexo no estado de espírito do mercado investidor.

É apenas um começo, mas a volta a um crescimento mais duradouro sempre tem de partir de algum lugar. E o governo começa a colher sinais que enfim apontam para o efeito da atual política, assim como um futuro melhor.