26 Jan 2020

O presidente Jair Bolsonaro alardeou no início do governo sua intenção de se aproximar comercialmente dos Estados Unidos, mas a realidade o tem levad para outra direção. Enquanto o governo americano só acenou com restrições ao Brasil, a começar por não apoiar a inclusão do país na OCDE e restringir a importação de carne brasileira, o presidente voltou da sua rodada de visitas pela Ásia com a promessa da China de trazer mais 100 bilhões de dólares para investirmentos em infra-estrutura no Brasil. Contra a atração ideológica de Bolsonaro pelo presidente americano Donald Trump, os chineses oferecem um convincente caminhão de dinheiro.

A Embraer está fazendo o recall do jato executivo mais vendido do mundo, o Embraer EMB-505, modelo Phenom 300. O desgaste de peças de balanceamento da aeronave fez com que seus voos fossem proibidos em todo o mundo.

O aviso do recall foi feito aos operadores do Phenom no último dia 30 de outubro, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil. Na última quarta-feira, foi proibido o voo dos jatos que apresentarem o desgaste.

Se a ideia era atrair capital privado para a compra do direito de exploração de quatro campos de petróleo na Bacia de Santos, e com isso reforçar o caixa, o mega leilão não deu muito certo. Com quase nengum interesse do capital externo, no primeiro dia a Petrobras foi a maior compradora - dinheiro do governo que foi para o governo. Nesta quinta-feira, segundo dia do mega-leilão, apenas um dos cinco campos foi vendido. O comprador? A Petrobras, que ficou com 80% do campo, com 20% para a petroleira chinesa CNODC.

O pacote de medidas da redução do Estado que começou a ser enviado ao Congresso pelo governo, com a assinatura do ministro Paulo Guedes, levantou tantas perguntas quanto esperanças sobre seus resultados a médio e longo prazo. Sobretudo, com a saída do governo de uma série de áreas, das atividades econômicas ao próprio fomento de setores como a educação, a saúde e a geração do emprego, Guedes entrega à iniciativa privada brasileira a missão de preencher espaços, a começar pelos investimentos. Aí reside a maior aposta.

O presidente Jair Bolsonaro entregou nesta terça-feira ao Congresso um pacote com várias mudanças para serem votadas progressivamente, com o objetivo de fazer uma reforma do Estado e agilizar a economia, elaborado pelo ministro Paulo Guedes.  

"É uma transformação do Estado brasileiro", disse Guedes. "Tem a consolidação de uma cultura fiscal de austeridade, de sustentabilidade fiscal. Vamos garantir finanças sólidas para a República brasileira."

Se corrige erros do passado, quando a gastança e a corrupção destruíram as contas públicas sem criar desenvolvimento sustentável, o projeto de Guedes é uma peça ortodoxa de corte de despesas e distribuição de recursos, sem trazer junto um planejamento estratégico voltado para o futuro.

Em um relatório dirigido a seus investidores, com o título "Brasil: cenário positivo para 2019 e 2020", datado de 11 de setembro, o Credit Suisse, um dos principais bancos suíços, voltou a recomendar o Brasil aos seus investidores. No relatório, o banco reúne elementos para mostrar o país novamente como um bom destino para os recursos internacionais. O movimento pode ser considerado um primeiro ponto de inflexão na curva dos investimentos no país, em queda desde a crise do setor público no governo de Dilma Rousseff, mesmo com as reformas na gestão Temer. Uma reativação que  demorava a acontecer, mesmo com a política liberal e de austeridade do ministro Paulo Guedes no governo Bolsonaro.

Essenciais para a retomada do crescimento, os investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros dependem não somente das condições econômicas objetivas como de vantagens competitiva no cenário mundial e de uma certa barreira psicológica de confiança - que o relatório suíço começa a quebrar.

Os senadores aprovaram em primeiro turno a Nova Previdência, que já passou pelo Congresso, com uma perna quebrada. Na única mudança promovida, retiraram a redução no pagamento do abono salarial, que funciona como um 14o. salário, e é pago a quem ganha até 2 salários mínimos. Com isso, a economia em dez anos prevista pelo governo, de 880 bilhões de reais, caiu em 76,4 bilhões.

Para ser aprovado pelo Congresso, o projeto de lei ainda tem de passar por outra votação dos senadores, em segundo turno. Segundo o Estadão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, 

quer que "cada bilhão" seja recuperado no "pacto federativo", projeto que deve reunir medidas para descentralizar recursos em favor de estados e municípios, exigido pelos senadores para votar a Previdência.

Foi má ideia condicionar uma coisa a outra e, se o governo seguir adiante com esse troco, a votação em segundo turno pode empacar, no final, todo o processo do pacote previdenciário.

O objetivo do terror é instaurar o pânico permanente e instaurar problemas - algo mais fácil numa economia global instabilizada e dependente de lugares escolhidos a dedo como alvo. É o caso das reservas de petróleo da Arábia Saudita, cuja produção foi 70% paralisada após o bombardeio de sábado. O preço internacional do petróleo disparou 13%. No Brasil, o governo decidiu segurar a alta, para não piorar ainda mais a estagnação econômica que sobrevive mesmo com o laissez faire do ministro Paulo Guedes. Porém, não sabe quanto tempo essa política vai resistir à crise.

O presidente Jair Bolsonaro mandou demitir o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, por conta dos estudos sobre a recriação do imposto sobre operações financeiras, nos moldes da antiga CPMF. Bolsonaro sempre se declarou contra aumentos de impostos, até porque são pouco eficazes - aumentam a receita do governo no primeiro  instante, mas são recessivos e acabam reprimindo a economia e também a arrecadação, num buraco sem fundo.

Assim, Bolsonro, que já não vinha gostando da fiscalização da Receita sobre figuras de proa da República, incluindo as próximas dele, queimou Cintra. E acabou chamuscando o chefe do secretário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que já vinha anunciando a criação do novo imposto - chegou a dar uma entrevista ao jornal Valor Econômico, dizendo que a alíquota chegaria em alguns casos a 1%.

Depois de oito meses completos de governo, o choque liberal prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não surtiu o principal efeito esperado - a redução do desemprego. Com isso, o governo resolveu algo que lembra os mandatos do PT: estuda empurrar a iniciativa privada com a máquina pública, de modo a recolocá-la para investir e criar postos de trabalho. Com isso, Guedes vai caindo na realidade brasileira, na qual o PT podia ter vocação estatizante, mas paradoxalmente isso caiu bem junto a um empresariado parasitário, que reluta em arriscar, contrariando a própria essência da atividade. E somente se põe em marcha com incentivos fiscais, financiamentos camaradas e todo tipo de facilidade - uma categoria que, no Brasil, historicamente se desenvolveu vivendo à sombra do Estado. E se alinhou perfeitamente com o PT enquanto o Estado ainda tinha dinheiro para inflar a economia.

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