18 Out 2021

O número de trabalhadores no mercado informal dobrou nos últimos seis anos, de acordo com levantamento do IBGE. Dos 89 milhões de trabalhadores ocupados no país, 36,3 milhões não têm registro - trabalhadores autônomos sem empresa ou caretira assinada.

Cresce a pressão e conta sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro, que no seu terceiro ano não conseguiu fazer crescerem os empregos formais, vê a inflação subir e um número cada vez maior de pessoas deixando de pagar impostos - sem deixar de exigir serviço público.

A informalização onera quem paga por todos, gerando uma sociedade na qual desempregados, semiempregados e mesmo os empregados estão insatisfeitos. E evidencia um governo, que tem tratado a redução da arrecadação como mero problema fiscal, sem solução para uma crise estrutural.

A campanha contra o ministro da economia, Paulo Guedes, vem crescendo nas ruas, após o vazamento da informação de que ele detém conta em paraíso fiscal, por meio de um pacote de informações obtidas por um pool de imprensa, chamado de "Pandora Papers".

A Avenida Faria Lima, em São Paulo, amanheceu nesta quinta-feira com cartazes em que a figura de Guedes aparecem em "notas" de 9,55 milhões de dólares. As imagens rapidamente circularam pelas redes sociais, onde cresce a má vontade geral com o ministro.

Relatórios de investidores e operadores do mercado financeiro nos últimos dias apontam para um cenário negro na economia brasileira para o restante do ano. Pode ser um pessimismo exagerado, mas, num mercado em que os humores dirigem as ações, a avaliação dos especialistas sobre a economia braisleira já contam para minar a cinfiança no futuro - e agravar uma situação que já é de crise galopante, visível nas ruas, onde a miséria se mostra num crescimento alarmante.

Por conta do coroavírus, a produção industrial brasileira registrou queda de 18,8% em abril na comparação com o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em levantamento publicado nesta quarta-feira. Mas a crise não deve somente á pandemia. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 27,2%.

Passados seis meses após o início do Covid-19 fora da China, o mundo já tem uma avaliação mais quantitativa do estrago na economia mundial, que já de antes não vinha muito bem. Nos EUA, a taxa de desemprego, que se encontrava em 3% antes do Covid-19, saltou para 14% - a mais alta desde a Grande Depressão. Nesta quarta-feira, 27 de maio, a Organização Internacional do Trabalho apresentou um balanço mundial. Ele mostra que um a cada seis jovens perdeu o trabalho em todo o planeta. Os trabalhadores que permaneceram com emprego tiveram, em média, uma redução de 23% em suas horas de trabalho.

O Brasil é um dos países mais afetados. O momento colabora para o cenário. "Isso coincide com o fato de que a região é hoje o epicentro da pandemia", afirmou em Genebra o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. "No começo da pandemia, o continente das Américas era o menos afetado em termos de emprego. Hoje, o continente saltou para ser o mais afetado."

Eis uma tentativa de síntese do quadro político do momento, com recapitulação dos fatos:

Em videoconferência nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom mais ameno, diante de governadores que aguardavam a resposta sobre o projeto aprovado pelo Congresso com uma ajuda de 60 bilhões de reais aos cofres de estados e munícípios.

Além dos 60 bilhões em transferência direta de recursos diretos, o projeto prevê uma desoneração de estados e municípios em outros 60 bilhões com a suspensão do pagamento de dívidas ao tesouro nacional.

Bolsonaro afirmou que vai aprovar a ajuda, com ressalvas. Entre elas, está a contenção da expansão salarial do funcionalismo público. Disse que o governo chegou a estudar o corte de 25% dos salários para gerar caixa, mas que deve apenas reter reajustes até o final de 2021, "o que vai ser bom, porque seré um sacrifício menor, mas vai ajudar 210 milhões de brasileiros".

No comitê de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi uma figura destoante do conjunto - enquanto todos os ministros vestiam-se formalmente, ele estava sem paletó, com uma máscara anti-Covid, e sem sapatos, inidcação de que os teria deixado por norma sanitária na porta. A imagem sugeria um ministro já deslocado, ou, por outro ângulo, o único certo. Nesta segunda-feira, após reunião com Guedes, o presidente Jair Bolsonaro diz que ele fica no governo"O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes", disse o presidente, após encontro no Palácio da Alvorada. "Ele nos dá o norte, nos dá as recomendações e o que nós realmente devemos seguir."

Sim, Guedes fica. Mas, no governo Bolsonaro, a questão é saber até quando - e como.

Na quarta-feira, o governo anunciou no palácio do Planalto um programa de retomada econômica, baseado sobretudo em investimentos públicos e parcerias privadas, num total de 30 bilhões de reais. Tem o desenho e a nomenclatura de um plano militar. No primeiro eixo, chamado de "ordem", pretende promover "medidas estruturantes" - como o estímulo ao ambiente de negócios e a mitigação do impacto social do coronavírus.  No eixo "progresso", arrola uma série de investimentos, parte deles "obras públicas", outra parte "parceria com o setor privado".

Na prática, o plano instala uma maior intervenção do Estado na economia, considerada necessária numa situação de calamidade, que já existia antes da pandemia, e agravou-se dentro dela. Não por acaso, a apresentação foi conduzida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, o general reformado que se tornou não apenas coordenador político como a mão de ferro do governo no meio da crise. "A finalidade é gerar empregos, recuperar infraestrutura e dar possibilidade ao Brasil de recuperar toda essa perda que nós tivemos", disse ele.

O governo vai começar a pagar o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores sem carteira assinada deve começar a partir desta quinta-feira (9). Já há mais de 25 milhões de cadastrados pelo aplicativo criado pela Caixa Econômica Federal.
Os primeiros a receber serão as pessoas que têm conta no Banco do Brasil ou poupança na Caixa Econômica Federal, de acordo com calendário criado pelo Ministério da Cidadania.

Página 1 de 14