7 Jul 2020

Relatórios de investidores e operadores do mercado financeiro nos últimos dias apontam para um cenário negro na economia brasileira para o restante do ano. Pode ser um pessimismo exagerado, mas, num mercado em que os humores dirigem as ações, a avaliação dos especialistas sobre a economia braisleira já contam para minar a cinfiança no futuro - e agravar uma situação que já é de crise galopante, visível nas ruas, onde a miséria se mostra num crescimento alarmante.

Por conta do coroavírus, a produção industrial brasileira registrou queda de 18,8% em abril na comparação com o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em levantamento publicado nesta quarta-feira. Mas a crise não deve somente á pandemia. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 27,2%.

Passados seis meses após o início do Covid-19 fora da China, o mundo já tem uma avaliação mais quantitativa do estrago na economia mundial, que já de antes não vinha muito bem. Nos EUA, a taxa de desemprego, que se encontrava em 3% antes do Covid-19, saltou para 14% - a mais alta desde a Grande Depressão. Nesta quarta-feira, 27 de maio, a Organização Internacional do Trabalho apresentou um balanço mundial. Ele mostra que um a cada seis jovens perdeu o trabalho em todo o planeta. Os trabalhadores que permaneceram com emprego tiveram, em média, uma redução de 23% em suas horas de trabalho.

O Brasil é um dos países mais afetados. O momento colabora para o cenário. "Isso coincide com o fato de que a região é hoje o epicentro da pandemia", afirmou em Genebra o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. "No começo da pandemia, o continente das Américas era o menos afetado em termos de emprego. Hoje, o continente saltou para ser o mais afetado."

Eis uma tentativa de síntese do quadro político do momento, com recapitulação dos fatos:

Em videoconferência nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro adotou um tom mais ameno, diante de governadores que aguardavam a resposta sobre o projeto aprovado pelo Congresso com uma ajuda de 60 bilhões de reais aos cofres de estados e munícípios.

Além dos 60 bilhões em transferência direta de recursos diretos, o projeto prevê uma desoneração de estados e municípios em outros 60 bilhões com a suspensão do pagamento de dívidas ao tesouro nacional.

Bolsonaro afirmou que vai aprovar a ajuda, com ressalvas. Entre elas, está a contenção da expansão salarial do funcionalismo público. Disse que o governo chegou a estudar o corte de 25% dos salários para gerar caixa, mas que deve apenas reter reajustes até o final de 2021, "o que vai ser bom, porque seré um sacrifício menor, mas vai ajudar 210 milhões de brasileiros".

No comitê de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi uma figura destoante do conjunto - enquanto todos os ministros vestiam-se formalmente, ele estava sem paletó, com uma máscara anti-Covid, e sem sapatos, inidcação de que os teria deixado por norma sanitária na porta. A imagem sugeria um ministro já deslocado, ou, por outro ângulo, o único certo. Nesta segunda-feira, após reunião com Guedes, o presidente Jair Bolsonaro diz que ele fica no governo"O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes", disse o presidente, após encontro no Palácio da Alvorada. "Ele nos dá o norte, nos dá as recomendações e o que nós realmente devemos seguir."

Sim, Guedes fica. Mas, no governo Bolsonaro, a questão é saber até quando - e como.

Na quarta-feira, o governo anunciou no palácio do Planalto um programa de retomada econômica, baseado sobretudo em investimentos públicos e parcerias privadas, num total de 30 bilhões de reais. Tem o desenho e a nomenclatura de um plano militar. No primeiro eixo, chamado de "ordem", pretende promover "medidas estruturantes" - como o estímulo ao ambiente de negócios e a mitigação do impacto social do coronavírus.  No eixo "progresso", arrola uma série de investimentos, parte deles "obras públicas", outra parte "parceria com o setor privado".

Na prática, o plano instala uma maior intervenção do Estado na economia, considerada necessária numa situação de calamidade, que já existia antes da pandemia, e agravou-se dentro dela. Não por acaso, a apresentação foi conduzida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, o general reformado que se tornou não apenas coordenador político como a mão de ferro do governo no meio da crise. "A finalidade é gerar empregos, recuperar infraestrutura e dar possibilidade ao Brasil de recuperar toda essa perda que nós tivemos", disse ele.

O governo vai começar a pagar o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores sem carteira assinada deve começar a partir desta quinta-feira (9). Já há mais de 25 milhões de cadastrados pelo aplicativo criado pela Caixa Econômica Federal.
Os primeiros a receber serão as pessoas que têm conta no Banco do Brasil ou poupança na Caixa Econômica Federal, de acordo com calendário criado pelo Ministério da Cidadania.

Uma pesquisa realizada pela agência FSB, sob encomenda do banco pactual, mostrou que a maioria dos brasileiros está cortando gastos para atravessar o período mais agudo da pandemia do vírus corona.

Como origem do vírus corona, e primeiro país a estar saindo da epidemia, a China é o caso a ser estudado, não apenas para o entendimento do ciclo epidêmico, como seus efeitos  na retomada da atividade econômica. O governo chinês autorizou a retomada da produção industrial, mas o varejo continua fechado e o comércio paralisado. Os chineses ainda não têm para quem vender, incluindo o mercado externo, já que a maioria dos países encontra-se fechada para negócios, de forma que ser o primeiro não é exatamente uma vantagem no processo da retomada econômica. Um relatório do Fórum Econômico Mundial, porém, indica que, apesar de uma retração ainda no segundo quadrimestre, o crescimento chinês será de cerca de 2% este ano - um terço das previsões anteriores à pandemia, que indicavam 6%.

Página 1 de 13