17 Out 2019

Em um relatório dirigido a seus investidores, com o título "Brasil: cenário positivo para 2019 e 2020", datado de 11 de setembro, o Credit Suisse, um dos principais bancos suíços, voltou a recomendar o Brasil aos seus investidores. No relatório, o banco reúne elementos para mostrar o país novamente como um bom destino para os recursos internacionais. O movimento pode ser considerado um primeiro ponto de inflexão na curva dos investimentos no país, em queda desde a crise do setor público no governo de Dilma Rousseff, mesmo com as reformas na gestão Temer. Uma reativação que  demorava a acontecer, mesmo com a política liberal e de austeridade do ministro Paulo Guedes no governo Bolsonaro.

Essenciais para a retomada do crescimento, os investimentos tanto nacionais quanto estrangeiros dependem não somente das condições econômicas objetivas como de vantagens competitiva no cenário mundial e de uma certa barreira psicológica de confiança - que o relatório suíço começa a quebrar.

Os senadores aprovaram em primeiro turno a Nova Previdência, que já passou pelo Congresso, com uma perna quebrada. Na única mudança promovida, retiraram a redução no pagamento do abono salarial, que funciona como um 14o. salário, e é pago a quem ganha até 2 salários mínimos. Com isso, a economia em dez anos prevista pelo governo, de 880 bilhões de reais, caiu em 76,4 bilhões.

Para ser aprovado pelo Congresso, o projeto de lei ainda tem de passar por outra votação dos senadores, em segundo turno. Segundo o Estadão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, 

quer que "cada bilhão" seja recuperado no "pacto federativo", projeto que deve reunir medidas para descentralizar recursos em favor de estados e municípios, exigido pelos senadores para votar a Previdência.

Foi má ideia condicionar uma coisa a outra e, se o governo seguir adiante com esse troco, a votação em segundo turno pode empacar, no final, todo o processo do pacote previdenciário.

O objetivo do terror é instaurar o pânico permanente e instaurar problemas - algo mais fácil numa economia global instabilizada e dependente de lugares escolhidos a dedo como alvo. É o caso das reservas de petróleo da Arábia Saudita, cuja produção foi 70% paralisada após o bombardeio de sábado. O preço internacional do petróleo disparou 13%. No Brasil, o governo decidiu segurar a alta, para não piorar ainda mais a estagnação econômica que sobrevive mesmo com o laissez faire do ministro Paulo Guedes. Porém, não sabe quanto tempo essa política vai resistir à crise.

O presidente Jair Bolsonaro mandou demitir o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, por conta dos estudos sobre a recriação do imposto sobre operações financeiras, nos moldes da antiga CPMF. Bolsonaro sempre se declarou contra aumentos de impostos, até porque são pouco eficazes - aumentam a receita do governo no primeiro  instante, mas são recessivos e acabam reprimindo a economia e também a arrecadação, num buraco sem fundo.

Assim, Bolsonro, que já não vinha gostando da fiscalização da Receita sobre figuras de proa da República, incluindo as próximas dele, queimou Cintra. E acabou chamuscando o chefe do secretário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, que já vinha anunciando a criação do novo imposto - chegou a dar uma entrevista ao jornal Valor Econômico, dizendo que a alíquota chegaria em alguns casos a 1%.

Depois de oito meses completos de governo, o choque liberal prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não surtiu o principal efeito esperado - a redução do desemprego. Com isso, o governo resolveu algo que lembra os mandatos do PT: estuda empurrar a iniciativa privada com a máquina pública, de modo a recolocá-la para investir e criar postos de trabalho. Com isso, Guedes vai caindo na realidade brasileira, na qual o PT podia ter vocação estatizante, mas paradoxalmente isso caiu bem junto a um empresariado parasitário, que reluta em arriscar, contrariando a própria essência da atividade. E somente se põe em marcha com incentivos fiscais, financiamentos camaradas e todo tipo de facilidade - uma categoria que, no Brasil, historicamente se desenvolveu vivendo à sombra do Estado. E se alinhou perfeitamente com o PT enquanto o Estado ainda tinha dinheiro para inflar a economia.

O Produto Interno Bruto cresceu 0,4% no segundo trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano, chegando a 1,78 trilhão de reais - um sinal de recuperação muito débil, mas que não deixa de ser um sintoma de vida.

No primeiro trimestre, o PIB encolheu 0,1%, segundo revisão de dados pelo IBGE. É uma reativação muito pequena para significar que o Brasil saiu da estagnação. Comparado ao mesmo período do ano passado, subiu 1%. Esse período de 2018, porém, foi atípico, conturbado pela greve dos transportes, que derrubou e desorganizou a atividade econômica no país.

Com seu estilo populista meio espalhafatoso e caricato, desenvolvido e exercido por meio das redes sociais, os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil vêm prestando um grande desserviço à sociedade.

Cada um no seu palácio, Trump e Bolsonaro transmitem a sensação de que a direita - como se convencionou chamar nos dias de hoje o movimento político conservador -  não passa de um amontoado de ações histriônicas, decisões bizarras e ataques gratuitos a inimigos imaginários. E, assim, tornam a direita tão fantasiosa e ridicula como a esquerda também caricata que anunciam confrontar.

Dessa forma, desmoralizam o que o conservadorismo poderia trazer de bom neste momento - ideias, que, levadas a sério, e não como uma mera encenação de marketing, poderiam colaborar de fato com soluções políticas e econômicas para os problemas contemporâneos, que não são poucos e nem fáceis.

A redução dos juros em meio ponto percentual, para 6% ao ano, é uma tentativa do Comitê de Politica Monetária do Banco Central de colaborar com a retomada da economia, que continua sem dar sinais palpáveis de reação. Mais que baratear empréstimos, o governo pretende tirar os empresários e investidores da zona de conforto - o dinheiro aplicado no banco - para voltar aos negócios, o único fator capaz de reconduzir o país ao desenvolvimento. O mesmo fenômeno ocorre nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve também acaba de baixar os juros. Ocorre que a saída do marasmo não está sendo fácil - e a queda dos juros, assim como outras medidas econômicas ortodoxas, também não deve ser o bastante.

No discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu acabar com a "indústria da multa" no Brasil: a teia de radares que onera os motoristas e serve menos para colocar ordem nas ruas e rodovias que como uma fonte biliardária de recursos para os cofres públicos, sem a mesma contrapartida no serviço público.

Na prática, mesmo, o governo acaba de fechar um acordo judicial para instalar ainda este 1.140 novos radares em rodoviais federais, firmado entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a juíza Diana Wanderley da Silva, da 5ª Vara Federal de Brasília. E prepara outros pacotes do gênero, num plano para a instalação de até 8 mil radares operados por concessionárias privadas a curto prazo.

A Petrobras arrecadou R$ 8,6 bilhões com uma nova venda de ações de BR Distribuidora nesta terça-feira, por meio da qual a empresa passou a ter mais capital privado que estatal.

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